00:43 17 Fevereiro 2019
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    Soldados do exército da Venezuela

    Ministro da Defesa diz que Venezuela não aceitará chantagem dos EUA com sanções

    © Sputnik / Ilia Pitalev
    Américas
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    O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, disse nesta segunda-feira que os Estados Unidos não chantagearão as Forças Armadas Nacionais Bolivarianas, que vêm sendo alvo de sanções militares que se expressam contra o presidente Nicolás Maduro.

    "Eles vieram com chantagem de dizer, se você se pronuncia contra a Constituição e contra as autoridades legítimas será exonerado, com essa alegação que eles chamam de sanções […] mas nós dissemos que nós ficamos com as sanções, mas permaneceremos com a pátria, não há sanções que sufoquem ou fraturem a dignidade nacional", declarou.

    As declarações foram oferecidas por Padrino López durante o ato de iniciar a coleta de assinaturas da qual funcionários das Forças Armadas participam contra "agressão imperialista e pela paz".

    Em 6 de fevereiro, o Conselheiro de Segurança Nacional na Casa Branca, John Bolton, disse que os Estados Unidos consideravam isentar de sanções os oficiais militares venezuelanos que queiram defender a democracia e reconhecer o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, como presidente da Venezuela.

    Não é a primeira vez que o governo dos EUA pede que os militares venezuelanos ignorem Maduro, que acusa Bolton e Washington de promover um golpe de Estado. Os Estados Unidos reconheceram Guaidó depois que o chefe do Parlamento se proclamou presidente "no comando" em 23 de janeiro, antes de uma manifestação nas ruas de Caracas.

    Maduro acredita que a declaração de Guaidó constitui uma tentativa de golpe liderada por Washington.

    Na América Latina, o México e o Uruguai aumentaram sua neutralidade e se abstiveram de reconhecer Guaidó. Bolívia, China, Cuba, Irã, Rússia e Turquia reafirmaram seu apoio ao atual governo venezuelano.

    Brasil abrigará ajuda à Venezuela

    O Brasil concordou em armazenar toneladas de ajuda humanitária em um centro perto da fronteira com a Venezuela, disseram enviados de Guaidó nesta segunda-feira, após reuniões com autoridades brasileiras.

    O centro, a ser instalado no estado de Roraima, seria o segundo na fronteira venezuelana, depois de um em Cucuta, na Colômbia, disse Lester Toledo, chefe da equipe de distribuição de ajuda de Guaidó.

    Guaidó está em uma queda de braço com o Exército venezuelano Maduro, que impediu a entrada da ajuda no país. A enviada de Guaidó ao Brasil, Maria Teresa Belandria, afirmou ter recebido garantias do ministro de Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, sobre o novo centro de ajuda.

    Toledo disse que "nos próximos dias visitaremos o estado de Roraima para ver onde ficará este centro de armazenamento e, a partir da próxima semana, organizaremos a chegada dessa ajuda humanitária".

    Várias toneladas de medicamentos, alimentos e itens básicos foram estocados desde quinta-feira em Cucuta, perto do ponto de passagem de fronteira de Tienditas, que soldados venezuelanos bloquearam com contêineres.

    Maduro nega que qualquer "crise humanitária" exista em seu país, atribuindo a falta de alimentos e produtos básicos às sanções dos Estados Unidos.

    Guaidó pede ajuda à OEA para organizar eleições

    Guaidó pedirá à Organização dos Estados Americanos (OEA) que ajude a organizar as eleições na Venezuela, disse nesta segunda-feira o representante do líder da oposição na OEA, Gustavo Tarre, a repórteres.

    "A OEA tem uma experiência muito importante, aconselhando os países sobre como fazem eleições democráticas e a observação das eleições, a fim de que os resultados sejam aceitos por todos. É isso que estamos começando a pedir à OEA", disse Tarre. "Haverá uma carta formal do presidente Guaidó pedindo a cooperação da OEA".

    Tarre falou após reunião com a Secretaria para o Fortalecimento da Democracia (SFD) sob a direção do secretário Francisco Guerrero.

    "O que falamos com a secretária Guerrero é que pedimos a eles que estivessem prontos para receber esta carta e estarem prontos", comentou Tarre. "Para iniciar a construção de um processo eleitoral democrático, não precisamos esperar a saída de Maduro. Nós começamos a trabalhar para fazer isso. A autoridade eleitoral nacional é dominada pela Assembleia Nacional".

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    Tags:
    relações bilaterais, crise na venezuela, diplomacia, ajuda humanitária, Organização dos Estados Americanos (OEA), Gustavo Tarre, Maria Teresa Belandria, Ernesto Araújo, Donald Trump, John Bolton, Juan Guaidó, Nicolás Maduro, Brasil, Estados Unidos, Venezuela