10:47 13 Dezembro 2018
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    Caravana de migrantes hondurenhos atravessam o México na direção à fronteira dos EUA

    Nações vizinhas começaram a olhar para EUA como país inimigo, diz especialista

    © Sputnik / Jesus Alvarado
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    A Casa Branca disse que a dispersão de imigrantes pelas autoridades na fronteira com o México foi realizada de forma profissional. O especialista Vladimir Bruter expressou a opinião ao serviço russo da Rádio Sputnik de que o problema dos fluxos de refugiados já é óbvio para os próprios Estados Unidos.

    De acordo com o especialista, o país tem o direito de defender suas fronteiras. A única questão é que a crise dos imigrantes, em certo sentido, é provocada pelo homem. Os Estados Unidos são em grande parte a causa desta crise ter surgido em suas fronteiras.

    "A retórica e as políticas anti-imigração da atual administração certamente criam problemas. É claro, os EUA são obrigados a aceitar um certo número de imigrantes, pelo menos porque a situação socioeconômica nos países vizinhos é muito dependente das relações comerciais com os Estados Unidos", disse Bruter ao serviço russo da Rádio Sputnik.

    Em sua opinião, se os EUA não contribuírem ou dificultarem a criação de empregos nos países vizinhos, é óbvio que as pessoas irão para os Estados Unidos, não há outras alternativas.

    "Portanto, mesmo que os EUA usem não apenas gás lacrimogêneo e balas de borracha, mas também outras armas, os imigrantes continuarão tentando entrar nos Estados Unidos", disse Vladimir Bruter.

    Segundo ele, o problema dos imigrantes já é óbvio para os próprios Estados Unidos. Os métodos usados pela administração americana são bastante tóxicos, dão origem a novos problemas — em particular, o problema da alienação de sua própria população de língua espanhola do resto do país e a alienação dos EUA dos países vizinhos.

    "Obviamente, a imagem dos Estados Unidos nos países vizinhos se deteriorou muito, eles agora olham para os Estados Unidos como um país inimigo, embora antes admitissem a cooperação e até mesmo alguma prevalência das ideias americanas sobre as suas próprias", observou o especialista.

    A Casa Branca comentou as ações dos militares dos EUA que usaram gás lacrimogêneo contra imigrantes da América Central que tentavam atravessar a fronteira entre o México e os Estados Unidos.

    "Quatro agentes foram atingidos por objetos. Os oficiais responsáveis pela guarda da fronteira responderam com meios não-letais para dispersar a multidão — este é o protocolo padrão das agências de segurança em todo o país", informou a Casa Branca no Twitter. É frisado na publicação que os agentes "lidaram de forma profissional com uma situação perigosa".

    A declaração também diz que a multidão era constituída principalmente por homens adultos. No entanto, a mídia fez circular fotografias mostrando que entre essas pessoas havia mulheres com crianças.

    Diversas caravanas de imigrantes provenientes da América Central estão tentando entrar nos EUA através do território do México. Assim, segundo relatórios do Ministério da Administração Interna do México, 5.600 imigrantes das Honduras, Guatemala e El Salvador estão concentrados na fronteira.

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    Tags:
    inimigo, gás lacrimogêneo, migrantes, fronteira, Casa Branca, Donald Trump, México, EUA
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