18:34 24 Setembro 2018
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    Um caixa conta notas de bolívar venezuelano em um mercado de rua no centro de Caracas, Venezuela (arquivo)

    Professor avalia mudança de câmbio na Venezuela e prevê próximos passos da crise

    © REUTERS / Ueslei Marcelino
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    O governo da Venezuela lançou hoje uma nova moeda para conter a hiperinflação que dizima a economia do país: o bolívar soberano, que além de cortar cinco zeros, vincula-se à criptomoeda Petro. A Sputnik conversou com o professor de política da Universidade de Aberdeen, Dr. Andrea Oelsner, para descobrir se o plano de Nicolás Maduro pode funcionar.

    Para o professor, é pouco provável que a nova moeda traga qualquer tipo de alívio econômico para o povo venezuelano. Isso porque o simples corte de zeros e a vinculação da moeda ao petro não resolve um dos principais entraves para a Venezuela: o impasse político, que cerca o país de incertezas e faz evaporar o investimento estrangeiro.

    "O problema não é cambial, algo que a mudança de moeda poderia resolver, mas sim profundamente político e econômico. A mudança de moeda não vai resolver, ao contrário. Pelo que vi, pode piorar", avalia Oelsner.

    O professor avaliou ainda os fatores que explicam a longevidade do governo de Maduro, a despeito da maior inflação do mundo. Para Oelsner, não há pressão internacional real sobre Maduro, além das Forças Armadas se manterem fieis ao presidente. A situação, porém, pode não se sustentar por muito tempo de acordo com ele.

    "As pessoas estão com fome e com raiva, então, quando perderem o controle, será difícil prever o que acontecerá. Eles podem enfrentar acusações na Corte Internacional em Haia. A ONU recebeu relatos de abusos contra os direitos humanos perpetrados pelo governo e recomendou que o caso fosse submetido a uma  investigação adicional", completa o acadêmico.

    Tags:
    Bolívar, Forças Armadas da Venezuela, ONU, Corte Internacional de Justiça, Universidade de Aberdeen, Nicolás Maduro, Andrea Oelsner, Venezuela
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