11:56 19 Novembro 2017
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    Yander Zamora, fotógrafo cubano

    Autor conta como foi feita foto mais popular da passagem do furacão Irma por Cuba

    © Foto: Yander Zamora
    Américas
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    Ao contrário do esperado, a foto mais popular nas redes sociais entre centenas de imagens do furacão "em ação" na Ilha de Liberdade não captou ondas na costa de Havana nem as consequências do vento fortíssimo que desmoronava tudo no seu caminho…

    Nem sequer a foto dos cubanos jogando dominó, apesar da inundação, ou das pessoas dançando com metade do corpo dentro de água. Nada disso conseguiu concorrer com a imagem de um menino segurando um busto de José Martí, o herói nacional cubano, entre ramos das árvores derrubadas.

    Em uma entrevista exclusiva à Sputnik Mundo, o autor da foto Yander Zamora, um dos mais titulados fotógrafos cubanos, compartilhou suas impressões sobre o trabalho no epicentro da calamidade natural.

    Consequências do furacão Irma em Cuba
    © Foto: Yander Zamora
    Consequências do furacão Irma em Cuba

    "O jornal Granma me enviou a Ciego de Ávila para fazer uma reportagem de fotos sobre o furacão em uma das províncias mais afetadas pela calamidade, segundo os prognósticos. Eu escolhi a costa do norte, pois queria mostrar o quadro do próprio centro de evacuação", contou.

    "O povoado se chama Punta Alegre, um povoado de pescadores muito humilde. Já que vim com antecedência, eu consegui fotografar antes da chegada do furacão", adiantou Yander.

    Mas, à medida que o Irma chegava, a situação se dificultava.

    Consequências do furacão Irma em Cuba
    © Foto: Yander Zamora
    Consequências do furacão Irma em Cuba

    "Ficamos incomunicáveis. As pessoas, embora muito solidárias, começaram ficando desesperadas. Imaginem só, estávamos sem eletricidade, água ou comida… Na madrugada do furacão ninguém conseguiu dormir. Houve ventania horrível, os telhados estavam voando, o mar encheu o povoado com algas e levou as moradias perto da costa", recorda o artista.

    O fotógrafo revelou que as pessoas neste povoado são muito pobres, por isso o furacão provocou danos terríveis, já que muitos perderam suas casas.

    Em plena tragédia, Yander viu um menino, chamado Jorge Daniel, que encontrou um busto de José Martí perto do mar e o abraçava.

    Jorge Daniel abraça busto de José Martí
    © Foto: Yander Zamora
    Jorge Daniel abraça busto de José Martí

    Foi assim que surgiu esta foto, para uns, um símbolo de esperança, coragem e resistência de um cubano. Para outros, a recordação dos valores que devem ser salvos apesar das catástrofes, tanto de caráter natural como político.

    "Mesmo hoje, uma semana depois do furacão, quando eu cheguei aqui com o fim de encontrar a criança desta fotografia, a eletricidade e a rede celular ainda não voltaram", partilhou.

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    Tags:
    furacão, natureza, Cuba
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