11:56 19 Novembro 2017
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    Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu

    Sem Brasil: Netanyahu chega para 1ª visita de um premiê de Israel à América Latina

    © REUTERS/ Jonathan Ernst
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    O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu desembarcou nesta segunda-feira em Buenos Aires, onde deu o pontapé inicial em sua visita à América Latina. É a primeira vez que um premiê de Israel faz uma visita oficial à região. E o Brasil está fora da agenda, como vem sendo rotina na gestão de Michel Temer (PMDB).

    Pelos próximos três dias, Netanyahu passará por Argentina, Colômbia e México, antes de desembarcar em Nova York, na sexta-feira. A visita marca não só a identificação da região como uma área distinta do conceito de "terceiro mundo", disse o premiê, mas também é uma demonstração de que Tel-Aviv não está isolada, como insiste a oposição local.

    "Esta viagem marca uma nova era nas relações entre Israel e a América Latina", disse o primeiro-ministro israelense a jornalistas, momentos antes do pouso na capital argentina, segundo o jornal The Jerusalem Post.

    Internamente, o premiê de Israel enfrenta forte crítica diante de investigações a respeito de corrupção. No fim da última semana, a Procuradoria do país apontou que deverá indiciar a mulher de Netanyahu, Sara, por corrupção e fraude. Em meio a um cenário interno de turbulência, ele buscará apoio e acordos vantajosos ao país no exterior.

    Netanyahu ficará por dois dias em Buenos Aires, onde se reunirá com o presidente argentino Mauricio Macri e também com o presidente do Paraguai, Horacio Cartes. Há ainda a perspectiva de que acordos comerciais e de cooperação venham a ser firmados com empresários que acompanham a comitiva do primeiro-ministro.

    O líder israelense ainda participa de cerimônias em homenagem às vítimas de dois atentados a bomba que atingiram a comunidade judaica na Argentina: o de 1992, na embaixada do país em Buenos Aires, e o ataque contra um prédio de uma organização israelita, dois anos depois, no que foi o pior atentado terrorista registrado no país. Atribui-se ambos os episódios ao Hezbollah, grupo libanês apoiado pelo Irã.

    Menos populismo e velhas feridas

    O simbolismo da visita à Argentina vai além das homenagens: as relações bilaterais receberam um impulso, após os governos de Cristina Kirchner expressarem frieza contra Tel-Aviv, em detrimento a um estreitamento das relações com o Irã – um cenário semelhante ao que ocorreu no Brasil ao longo dos governos do PT, com Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

    O próprio Ministério de Relações Exteriores de Israel destacou que a "visita histórica" de Netanyahu foi facilitada pela "queda de governos populistas de esquerda" na região. Contudo, o Brasil ficou de fora porque "não se sabia quem seria o presidente" no momento da conclusão da agenda, segundo disse à Folha de S. Paulo embaixador israelense no país, Yossi Shelley.

    Contudo, as relações entre Brasil e Israel estão estremecidas há mais tempo, e por outras razões. Há dois anos, o governo brasileiro, liderado por Dilma Rousseff, se recusou a conceder as credenciais ao então indicado por Tel-Aviv para ser o embaixador no país, Dani Dayan. Empresário de origem argentina, Dayan foi um dos dirigentes do movimento dos colonos, que defende os assentamentos na Cisjordânia, o que causa polêmica junto aos palestinos.

    Um ano antes, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel chamou o Brasil de "anão diplomático", depois de o governo brasileiro retirar seu embaixador como forma de protesto pela ofensiva militar em Gaza.

    Desde que Temer assumiu a Presidência, há pouco mais de um ano, o país foi evitado por vários líderes mundiais, entre os quais destacam-se o ex-presidente francês François Hollande, a primeira-ministra alemã Angela Merkel, e o vice-presidente dos EUA, Mike Pence. Até mesmo o Papa Francisco declinou um convite para vir ao país neste ano.

    Fim da viagem

    Na quarta-feira, Netanyahu segue para a Colômbia, onde se reúne com o presidente Juan Manuel Santos. O primeiro-ministro israelense ficará apenas três horas no país, antes de seguir para o México, onde terá encontros com autoridades e com o presidente Enrique Peña Nieto. Na sexta, ele segue para os EUA, onde participa da Assembleia Geral da ONU.

    Ainda em solo estadunidense, o primeiro-ministro de Israel deverá se encontrar com o presidente Donald Trump, que segue pregando a tese de que um acordo de paz entre israelenses e palestinos é sim possível – e este deve ser um dos temas do encontro, além de discussões em torno das relações bilaterais e o combate ao terrorismo, assunto que Washington e Tel-Aviv indicam ter participação iraniana na região.

    De acordo com a diplomacia israelense, Netanyahu pode voltar à América Latina em abril do próximo ano, quando o Peru sediará um encontro regional e Israel foi uma das nações convidadas a participar como visitante.

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    Tags:
    terrorismo, relações bilaterais, política, diplomacia, ONU, Dani Dayan, Yossi Shelley, Michel Temer, Horacio Cartes, Donald Trump, Enrique Peña Nieto, Juan Manuel Santos, Mauricio Macri, Benjamin Netanyahu, Brasil, Estados Unidos, México, Colômbia, Argentina, Irã, Israel
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