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    Há 55 anos, a União Soviética testou o seu novo míssil de cruzeiro K-10, que pôs fim à supremacia dos porta-aviões norte-americanos, alterando o equilíbrio de forças no mar.

    A Marinha russa possui mísseis Oniks e Granit, que tradicionalmente preocupam os comandantes de navios de guerra norte-americanos, enquanto o Tsirkon hipersônico pode se tornar um verdadeiro pesadelo para eles.

    Velocidade fantástica

    O sistema 3K22, equipado com o míssil hipersônico Tsirkon, está passando por testes desde 2016. A informação sobre o projeto é secreta, se sabe apenas que o míssil pode acelerar até à velocidade fantástica de Mach 10 (quase 12 mil km/h), percorrendo quase 3,5 quilômetros em um segundo. O alcance operacional será de 500 quilômetros.

    Tal velocidade hipersônica torna o míssil praticamente invulnerável e faz de qualquer porta-aviões norte-americano um alvo fácil. Um grupo naval clássico norte-americano inclui muitos navios de guerra que devem proteger o porta-aviões dos ataques inimigos, e eles podem conter os pesados mísseis soviéticos Granit e Vulkan, que voam a uma velocidade de Mach 2,5, mas eles já não conseguirão detectar ou reagir ao ataque de um grupo de Tsirkon.

    Nem o sistema Aegis pode ajudar neste caso, porque o tempo da reação dele é de 8 a 10 segundos. O Tsirkon vai percorrer uma distância de 25 quilômetros durante esse tempo e o sistema não conseguirá processá-lo.

    "A existência de tais armas em quantidade suficiente reforça seriamente as capacidades defensivas e ofensivas do país que o possui. Hoje em dia, não existem meios de combate contra mísseis hipersônicos, mas estou convencido que eles vão aparecer", acrescentou à Sputnik o almirante Vyacheslav Popov, ex-comandante da Frota do Norte russa.

    Danos críticos

    Como mostra a prática, a construção de mísseis de cruzeiro prevê a possibilidade de substituição da ogiva simples por uma nuclear, o que permite a destruição de um navio grande com um só míssil. É provável que o Tsirkon não seja uma exceção. Mas mesmo uma ogiva convencional pode causar danos fatais a um porta-aviões dispendioso.

    Segundo as previsões, a Rússia vai receber os Tsirkon no período de 2018 a 2020 e os poderá instalar não só em navios de guerra, mas também nos sistemas de mísseis costeiros Bastion e em aviões.

    Uma preocupação para o Ocidente

    A mídia ocidental tem repetidamente classificado os novos mísseis russos como uma ameaça potencial para os porta-aviões norte-americanos.

    "O Tsirkon pode ser classificado como um míssil estratégico – seu tempo de voo é o ponto decisivo. Ainda é possível interceptar um míssil de algum modo, mas se forem 10 – não há chances. Estou certo que o aparecimento deste míssil foi completamente inesperado para o nosso inimigo potencial e o forçou a rever os planos de posicionamento das suas frotas. Eles vão buscar um antídoto, mas ainda não o possuem", acrescentou o analista militar russo Ivan Konovalov à Sputnik.

    Muitos analistas russos e estrangeiros concordam que os EUA deviam ter tratado da modernização da sua defesa antiaérea e antimíssil antes do aparecimento dos mísseis supersônicos russos para manter o equilíbrio de forças.

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    Tags:
    defesa antimísseis, capacidade militar, defesa, analista, ogiva nuclear, opinião, míssil, Tsikron, EUA, Rússia
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