10:18 18 Outubro 2019
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    Caças Su-30 da Força Aérea chinesa (foto de arquivo)

    'Objetivo principal das manobras dos EUA no oceano Pacífico é a China'

    © AP Photo / Xinhua/ Jin Danhua
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    Na sexta-feira (19) dois caças chineses Su-30 interceptaram o avião dos EUA WC-135 Constant Phoenix sobre o mar da China Oriental.

    A função do avião norte-americano é o reconhecimento radiotécnico. Como sempre, as autoridades dos EUA declararam que a intercepção foi feita de modo pouco profissional. Um ano atrás os caças chineses haviam interceptado um avião de espionagem americano RC-135 sobre mar do Sul da China, o Pentágono chamou as ações da aviação chinesa de perigosas e Pequim, por sua parte, pediu aos EUA que parassem os voos de coleta de informações.

    O aliado mais próximo dos EUA na região, o Japão, fez decolar um avião F-15 devido ao alerta de aparecimento de um drone na área das ilhas disputadas Senkaku. Segundo o serviço de segurança japonês, quatro navios chineses entraram na quinta (18) nas águas territoriais do Japão perto das ilhas Senkaku. Depois, foi lançado um drone de um dos navios. O Ministério das Relações Exteriores enviou uma nota de protesto para a China através da sua embaixada.

    A Marinha dos EUA começou no mesmo dia a deslocação do seu porta-aviões USS Ronald Reagan da base japonesa de Yokosuka para a costa coreana, onde já se encontra o grupo de ataque chefiado por outro porta-aviões, o USS Carl Vinson.

    Para que precisam os EUA de dois grupos de ataque ao mesmo tempo na área da península da Coreia?

    Particularidades das manobras

    Costuma-se dizer que a situação tensa na península da Coreia ficou mais grave devido ao último teste de míssil realizado por Pyongyang em 14 de maio. Mas o grupo naval chefiado pelo USS Carl Vinson foi enviado para área muito antes, o mesmo aconteceu com as manobras conjuntas de Seul e Washington, destinados a mostrar o poder dos EUA à Coreia do Norte. O analista da Sputnik Aleksandr Khrolenko destaca que os testes de Pyongyang como regra coincidem com treinamentos dos EUA e Coreia do Sul.

    Mais cedo, o Pentágono deslocou dois destroieres para uma zona a 500 km da costa norte-coreana, explicando que a existência de armas nucleares na Coreia do Norte é inaceitável, enquanto a NBC informou sobre um possível ataque preventivo contra Pyongyang. Por sua parte, Han Song-ryol, vice-ministro das Relações Exteriores da Coreia do Norte, acusou Trump de criar um "círculo vicioso" de tensão na região.

    "Ora, este círculo é muito mais largo do que parece. O objetivo principal das manobras dos EUA no oceano Pacífico é a China", opina analista Khrolenko.

    O avião WC-135 Constant Phoenix interceptado, cuja missão é coletar amostras da atmosfera para detectar e identificar explosões nucleares, realizava uma operação de rotina no espaço aéreo internacional sobre o mar da China Oriental. Mesmo assim, a aeronave não deixa de ser um avião de reconhecimento e sabemos que águas do mar da China Oriental banham a China.

    O voo de WC-135W Constant Phoenix é apenas pequeno elo na série de acontecimentos, destaca Krolenko.

    Outro fato para o qual o analista russo chama atenção é a implantação de cinco drones de espionagem Global Hawk na base japonesa de Yokosuka. Os Global Hawk podem detectar objetos a 16 km de altitude. A autonomia de voo destes drones é de 34 horas. É pouco provável que toda essa alta tecnologia seja usada apenas contra Pyongyang.

    A China, mostrando sua boa vontade, devolveu aos EUA o drone submarino interceptado em 15 de dezembro no mar do Sul da China, mas a tensão na região não baixou. A recente demonstração de poder dos EUA é destinada não apenas à Coreia do Norte. Os norte-americanos tentam manter a sua influência na região a todo o custo, sublinha Khrolenko.

    Desentendimento que dura há séculos

    A China, Vietnã, Filipinas, Malásia, Brunei e Japão têm disputas territoriais sobre fronteiras marítimas nos mares da China Oriental e do Sul da China.

    As ilhas de Senkaku (Diaoyu, em chinês) são objeto de disputa entre China e Japão desde o início da década de 70. O Japão sustenta que ocupa as ilhas desde 1895 e que elas não pertenciam a ninguém até então. A China insiste que as ilhas fazem parte do Império Chinês já há 600 anos. Depois da Segunda Guerra Mundial, as ilhas passaram a ser controladas pelos EUA, sendo transferidas ao Japão em 1972, juntamente com a ilha de Okinawa. Taiwan e a China continental acreditam que Japão detém as Ilhas ilegalmente.

    A situação se agravou em 2013 quando a China pediu que todas as informações sobre voos realizados sobre o mar do Sul da China na área das ilhas disputadas lhe fossem entregues. A decisão foi encarada de modo negativo por muitos países. O Japão declarou que vai interceptar todos os drones chineses que apareçam na área. A parte americana sublinhou o caráter ilegítimo da construção das ilhas artificias pela China no mar do Sul da China. Washington tem intenção de proibir acesso às ilhas disputadas para chineses.

    Parece que a China está irritada com a atividade de controlo da Marinha dos EUA e do sistema THAAD instalado na Coreia do Sul. No entanto, a China continua a exploração econômica dos mares adjacentes. Por exemplo na quinta-feira (18) a China anunciou que tem realizado com êxito a extração de hidrato de gás natural, ou do assim chamado "gelo combustível", do fundo do mar do Sul da China. A descoberta pode dar início à passagem para energias alternativas limpas no futuro.

    Falando da expansão chinesa, a mídia americana publica regularmente artigos sobre a atividade "imperial" e a expansão da China na Ásia e África. Seja como for, sublinha Khrolenko, a concorrência pacífica de Pequim não tem nada a ver com as campanhas sangrentas dos EUA no Oriente Médio durante as últimas décadas, concluiu o analista russo.

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    Tags:
    voos de reconhecimento, disputa territorial, influência, F-15, USS Carl Vinson, USS Ronald Reagan, Ilhas Senkaku, EUA, Coreia do Sul, Coreia do Norte, China
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