00:26 20 Agosto 2019
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    Laura Poitras

    Autoridades dos EUA acusam diretora do filme sobre Snowden de matar soldados no Iraque

    © AP Photo / Evan Agostini/Invision
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    Autoridades norte-americanas suspeitam que a falta de ação da diretora do documentário sobre Edward Snowden – ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional (NSA, sigla em inglês), Laura Poitras, poderia ter proporcionado a morte e ferimentos de soldados em Bagdá no ano de 2004, informa a Associated Press.

    Segundo Laura Poitras, ele foi revistada mais de 50 vezes entre 2006 e 2012. Funcionários de aeroportos inspecionaram sua bagagem, interrogaram-na durante algumas horas, analisaram seus aparelhos eletrônicos. Além disso, em um aeroporto austríaco, seu nível de ameaça atingiu o valor máximo: "400 de 400".

    No aeroporto de Nova York, um oficial do serviço de segurança ameaçou algemá-la, pois a caneta usada por ela "poderia se transformar em uma arma", além disso, seu laptop e outros aparelhos eletrônicos foram confiscados por 41 horas.

    Laura Poitras é autora de vários documentários, inclusive o Citizenfour, filme sobre Edward Snowden, que está nos cinemas desde 2014 e, até agora, conquista as bilheterias. Vale ressaltar que documentário sobre Snowden recebeu Oscar. Um novo filme da cineasta, Risk, fala sobre o fundador do portal de revelações WikiLeaks, Julian Assange.

    Em 2004, Poitras fez outro filme em Bagdá "My Country, My Country" ("Meu país, Meu país"), onde são tratadas as eleições no Iraque do ponto de vista de um médico iraquiano que critica a ocupação do país pelos EUA.

    Segundo informa a agência, membros da Guarda Nacional norte-americana foram atacados por combatentes em Bagdá. Eles relataram que antes do ataque viram "uma mulher branca" com câmera no telhado de um edifício. O ataque resultou na morte do soldado de 22 anos, David Rustum, e deixou feridos.

    Alguns membros do destacamento norte-americano sugeriram que Poitras soubesse do ataque com antecedência, mas ela não comunicou aos soldados, pois queria filmá-lo. Caso a informação possua provas, Poitras será sujeita a julgamento por violar o Código criminal dos EUA.

    Ela não sabia sobre essas suposições até que entrou com uma ação judicial contra o governo dos EUA em 2015. Ao mesmo tempo, o governo apresentou-lhe mais de mil páginas de documentos ligados ao caso dela. Apoio aos terroristas é uma das coisas que podem ser encontradas nos documentos.

    Por sua vez, Laura Poitras se referiu a essas suposições como falsas e afirmou não "haver gravação alguma do ataque. Essa história foi criada por eles, não corresponde aos fatos", declarou a cineasta à Associated Press.

    Não obstante, destaca-se que Laura Poitras na verdade estava no Iraque nesse tempo: "Estava vivendo na casa de uma família iraquiana e tentava gravar a batalha do ponto de vista da família. Não saí para rua naquele dia", a agência cita sua carta endereçada a John Breuning, autor de um livro sobre serviço militar no Iraque.

    O Departamento Federal de Investigação (FBI, sigla em inglês) recusou dar comentários. O representante da NSA explicou que já verificou algumas vezes a cineasta, pois ela se encontra na lista dos assim chamados passageiros "especiais", em outras palavras, que representam ameaça elevada. As inspeções e revistas adicionais terminaram em 2012, quando a mídia divulgou informação sobre seu caso.

    No fim de março, a Justiça Federal em Washington determinou que o FBI não possui razões suficientes para esconder informações sobre o caso da cineasta. No entanto, Laura Poitras não sabe se as ações contra ela foram interrompidas ou continuarão.

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    Tags:
    feridos, soldados mortos, ataque, combatentes, militares, interrogatório, investigação, filme, realizador, WikiLeaks, Agência Nacional de Segurança (NSA), FBI, Julian Assange, Edward Snowden, Nova York, Bagdá, Iraque, EUA
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