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    Police officers take a protester into custody Tuesday, Nov. 25, 2014, in Ferguson

    Estudo nos EUA: Negros têm o dobro de chance de estarem desarmados em tiroteios policiais

    © AP Photo / Charlie Riedel
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    Um novo estudo mostra que as vítimas afro-americanas de tiroteios policiais têm o dobro de probabilidades de estarem desarmadas em comparação com vítimas brancas. Grupo de pesquisadores liderado pela Universidade de Louisville analisou 990 assassinatos policiais desde 2015 para entender como raça e preconceito influenciam abordagem policial.

    Através de sua análise, os pesquisadores procuraram discernir se a polícia julgava implicitamente que certos grupos étnicos eram mais ameaçadores. Os resultados mostraram que metade das vítimas de homicídio policial eram negras e foram mortas por oficiais brancos. Ao mesmo tempo, havia mais vítimas negras desarmadas do que brancas.

    Justin Nix, professor assistente de justiça criminal da Universidade de Louisville, disse ao International Business Times que "os suspeitos negros tinham duas vezes mais chances que os brancos de terem estarem desarmados, mesmo depois de levar em consideração fatores como doença mental, etc".

    "Se você puder aceitar essa suposição, mostraremos que a raça do cidadão é preditiva dessas falhas de percepção de ameaça. O que concluímos foi que há evidências de uma análise enviesada e, presumivelmente, implicações implícitas a isso", acrescentou Nix.

    O professor explica que o tiro vindo de um policial a uma pessoa desarmada provavelmente não ocorrerá por um racismo explicito e consciente, mas sim a um erro de cálculo de ameaça, aumentado pelo viés racial latente.

    De acordo com o estudo, "resultados mostraram que civis de outros grupos minoritários tinham signficativamente mais chances de não terem atacado o policial durante a abordagem, em comparação com brancos".

    Simulações que medem o viés da polícia produziram resultados mistos. Um experimento usando simulações de computador indicou que a polícia tinha mais probabilidade de atirar em suspeitos negros, enquanto outra simulação de abril de 2016 usando vídeo de alta definição mostrou que os policiais têm três vezes menos probabilidade de atirar em suspeitos armados negros do que um suspeito branco, nas mesmas circunstâncias.

    O professor de política pública na Universidade de Berkeley, Jack Glaser analisou o documento. Para ele, o resulado indica que, em situações muito ameaçadoras, o racismo velado pode influenciar o policial. "Eles estão aterrorizados e são relativamente mais influenciados por processos espontâneos".

    Homem detido durante protesto em Ferguson, no Missouri, onde um jovem negro de 18 anos foi morto por policiais em agosto de 2014. Provas mostravam que o rapaz estava desarmado, mas os acusados foram inocentados pela justiça causando uma onda de indignação nacional.
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    Homem detido durante protesto em Ferguson, no Missouri, onde um jovem negro de 18 anos foi morto por policiais em agosto de 2014. Provas mostravam que o rapaz estava desarmado, mas os acusados foram inocentados pela justiça causando uma onda de indignação nacional.

    O estudo, publicado no Diário de Criminologia e Política Pública, considera apenas tiroteios fatais.

    "Os números usados na pesquisa, obtidos a partir de um banco de dados do Washington Post, encolhem se limitados às vítimas desarmadas apenas. Apenas 93 vítimas de tiroteios policiais em 2015 estavam desarmadas. A grande maioria das vítimas de tiroteios da polícia possuíam algum tipo de arma", reconhece Nix.

    Depois de uma série de homicídios policiais a afro-americanos, o presidente Barack Obama convocou uma Força-Tarefa sobre Policiamento do Século XXI, que recomendou políticas, supervisão, treinamento, educação e envolvimento comunitário como formas de ajudar a população que estes policiais juraram proteger.

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    Tags:
    Diário de Criminologia e Política Pública, International Business Times, The Washington Post, Universidade de Louisville, Barack Obama, Justin Nix, Estados Unidos, Kentucky, Louisville
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