13:59 12 Dezembro 2017
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    Submarino de mísseis balísticos da classe Ohio USS Maryland (SSBB 738) se deslocando pelo rio de Saint Marys

    EUA intensificam 'corrida submarina' construindo novos navios

    © flickr.com/ Gonzalo Alonso
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    Os EUA estão desenvolvendo submarinos nucleares de nova geração (da classe Columbia) para serem os submarinos "mais silenciosos e menos detectáveis na história mundial".

    O analista militar Igor Kudrin, fala em entrevista à Sputnik Internacional desse novo submarino e sobre as capacidades dos submarinos de mísseis modernos.

    Chamados pela mídia americana de "submarinos do século XXI", os submarinos (da classe Columbia) irão substituir os submarinos de mísseis estratégicos existentes (da classe Ohio) que foram construídos durante os anos 80 —90.

    Os EUA planejam construir 12 submarinos desse tipo, com o primeiro ficando disponível em 2021.

    "Um novo submarino é sempre a continuação de projetos anteriores, no caso do Columbia ele irá continuar onde parou o projeto Ohio. Irá dispor de eletrônica mais avançada e será armado com uma versão modernizada e de maior alcance do míssil Trident", apontou Igor Kudrin.

    A Rússia conta com três submarinos nucleares estratégicos de quarta geração: Yuri Dolgoruky, Aleksandr Nevsky e Vladimir Monomakh. A Marinha russa planeja ter na sua frota dez submarinos nucleares estratégicos da classe Borei até 2020.

    Igor Kudrin destacou que os submarinos nucleares modernos apareceram graças às muitas décadas de competição entre as marinhas da Rússia e dos EUA.

    "Durante a Guerra Fria, nós ficávamos para trás dos americanos nas nossas capacidades de guerra eletrônica. No início dos anos 90, os nossos submarinos já eram tão silenciosos como os americanos e era difícil os detectar, além disso, nossos submarinos da classe Yasen são mais silenciosos e estão melhor armados do que os seus análogos dos EUA", explicou Kudrin.

    Ele acrescentou que essa é a razão por que os americanos avançam na área de desenvolvimento de submarinos da classe Columbia, bem como na modernização de submarinos das classes Seawolf, Virginia, etc.

    Está decorrendo uma corrida submarina. Nós estamos à frente agora, mas eles tentam nos alcançar. Os americanos cometeram um erro grande quando trocaram completamente seus submarinos a diesel por nucleares. Mas não o fizemos e ainda usamos submarinos não nucleares com sistemas de propulsão anaeróbicos, observou o especialista.

    "Ficando atrás dos EUA em eletrônica, aprendemos a detectar seus submarinos pelas suas esteiras e os americanos não o conseguem fazer", adicionou.

    Falando sobre drones submarinos, Igor Kudrin disse que submarinos tripulados são o futuro da guerra submarina.

    "Não acredito em submarinos não tripulados. Eletrônica nos dá dicas, mas são as pessoas que agem de acordo com esses dados. Se tiver alguém que use bem a eletrônica, tanto melhor para você", afirmou.

    Mais cedo neste mês, o Pentágono anunciou oficialmente o programa da Marinha com maior prioridade, no valor de 125 bilhões de dólares, para comprar 12 submarinas nucleares avançados.

    Entretanto, o orçamento aprovado pelo Senado no fim de 2016 autoriza 773 milhões de dólares para esse programa.

    O início da construção de navios submarinos de mísseis balísticos da classe Columbia está marcado para 2021. Os submarinos, de 171 metros de comprimento, têm um conjunto de unidades propulsoras, incluindo motor elétrico turbo, nuclear e hidrojato.

    Os submarinos podem ser equipados com 16 misseis balísticos Trident D5 de lançamento por submarinos.

    Segundo se relata, os Trident D5 permitem aos navios dos EUA e Grã-Bretanha conseguir a dissuasão nuclear com menor quantidade de submarinos e são quase tão precisos como os misseis balísticos de baseamento terrestre.

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    Tags:
    capacidade militar, submarinos russos, nova geração, mísseis balísticos, competição, submarino nuclear, modernização, Trident, Guerra Fria, Marinha dos EUA, Marinha da Rússia, EUA, Rússia
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