09:27 20 Maio 2019
Ouvir Rádio
    Evo Morales, presidente da Bolívia

    Pragmatismo x ideologia: Bolívia normaliza relações com o Brasil

    ABI / Jorge Mamani
    Américas
    URL curta
    423

    O Presidente Evo Morales anuncia que José Kinn reassumirá a chefia da missão diplomática boliviana em Brasília e que o Brasil decidiu enviar novamente a La Paz o diplomata Raymundo Santos Rocha Magno, para reassumir a chefia da Embaixada brasileira.

    "A Bolívia não é o primeiro país da América do Sul a normalizar suas relações com o Brasil após a substituição de Dilma Rousseff por Michel Temer. Mas é mais um que adota posição realista e pragmática em relação ao Brasil". A avaliação é da analista política Denilde Holzhacker, professora de Relações Internacionais da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) de São Paulo e especialista em políticas das três Américas. Ela considera que Bolívia e Uruguai adotaram atitudes corretas em relação ao Brasil, do ponto de vista das relações de Estados:

    "O Uruguai, do Presidente Tabaré Vázquez, que também havia se posicionado a favor da Presidente Dilma Rousseff durante seu processo de impeachment, reavaliou sua posição e privilegiou o fato de que o Brasil está entre os maiores países compradores de produtos uruguaios. Da mesma forma parece ter agido o presidente da Bolívia, Evo Morales, que precisa discutir os termos da renovação do contrato de compra e venda de gás boliviano pelas empresas brasileiras, acordo este que vence em 2019".

    Além disso, há planos de construção de hidrelétricas na Amazônia, e um outro assunto que interessa muito de perto a brasileiros e bolivianos, a construção da ferrovia que ligará os oceanos Atlântico e Pacífico.

    Na segunda-feira, 3, o Presidente Evo Morales anunciou que o diplomata José Kinn reassumirá a chefia da missão diplomática boliviana em Brasília. Kinn tinha sido chamado a La Paz para consultas logo após a destituição da Presidente Dilma Rousseff pelo processo de impeachment. Da mesma forma, Morales revelou que o Brasil decidiu enviar de volta a La Paz o diplomata Raymundo Santos Rocha Magno, para reassumir a chefia da Embaixada brasileira na Bolívia.

    Para Denilde Holzhacker, a reaproximação diplomática entre Bolívia e Brasil não significa necessariamente um realinhamento de ideias:

    "Não acredito que a Bolívia aceite as ideias neoliberais do Governo brasileiro, assim como não acredito que o Brasil irá estimular os ideais bolivarianos adotados pelas autoridades daquele país. O que está em jogo são as relações comerciais entre os países, e, para que elas possam prosperar, a diplomacia entre Brasil e Bolívia precisa estar ativa e sem tensões".     

    Mais:

    Brasil esvazia o Mercosul; próximo passo são os BRICS?
    Visita de Temer a Argentina e Paraguai marca reviravolta no Mercosul
    Seis delegações abandonam Assembleia Geral durante discurso de Temer
    Tags:
    ESPM, Michel Temer, José Kinn, Denilde Holzhacker, Tabaré Vázquez, Evo Morales, La Paz, Amazônia, América do Sul, Uruguai, Bolívia, Brasil
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar