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Lituânia prepara venda de local em que a CIA torturou suspeitos de terrorismo

© REUTERS / Janis LaizansPanorama de prédio usado pela Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) dos EUA para reunir prisioneiros em Vilnius, Lituânia, 20 de janeiro de 2022
Panorama de prédio usado pela Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) dos EUA para reunir prisioneiros em Vilnius, Lituânia, 20 de janeiro de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 25.01.2022
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Vilnius investigou em 2010 um local em que entre 2005 e 2006 estiveram detidos suspeitos de terrorismo da Al-Qaeda e outros grupos, mas nunca admitiu oficialmente sua identidade.
O governo da Lituânia anunciou que venderá um celeiro na floresta fora de Vilnius, no qual uma vez permitiu a membros da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) dos EUA torturar suspeitos de terrorismo sequestrados, escreveu na segunda-feira (24) a agência britânica Reuters.

"Este era um prédio fortemente vigiado, no qual se podia fazer o que se quisesse. Não determinamos o que acontecia exatamente lá", contou Arvydas Anusauskas, que liderou uma investigação parlamentar ao lugar em 2010, chamado Projeto Nº2 (Project No. 2) ou Lugar de Detenção Violeta (Detention Site Violet) pela CIA. No entanto, Vilnius nunca admitiu a identidade do sítio.

Entre fevereiro de 2005 e março de 2006 a CIA teria usado o Lugar de Detenção Violeta para seu programa de "entrega extraordinária", eufemismo para o sequestro e tortura de pessoas para obter informação sobre a Al-Qaeda (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países) ou outros grupos terroristas, como parte da Guerra Global ao Terror.
O celeiro tinha dez salas sem janelas e à prova de som. Os prisioneiros eram barbeados na chegada, com os olhos vendados ou encapuzados e pernas acorrentadas durante toda sua estadia. Eles eram mantidos em condições solitárias e expostos à luz e sons de alta intensidade constantes. As pessoas levadas até o sítio não tinham acesso a um advogado, juiz, órgão de monitoramento ou qualquer tipo de processo legal devido.
Algumas das pessoas que passaram pelo Projeto Nº2 incluem Khalid Sheik Mohammed, chamado de "principal arquiteto dos ataques de 11 de setembro de 2001" no Relatório da Comissão de 11 de Setembro, a investigação oficial desses ataques terroristas. No local também estiveram Mustafa al-Hawsawi, suposto financiador dos eventos, e Abu Zubaydah, que chegou a ser acusado de ser membro da Al-Qaeda, apesar de Washington nunca o considerar um membro ou acusar de crimes.
As instalações secretas também receberam Abd al-Rahim al-Nashiri, suposto mentor do ataque com bomba ao destróier norte-americano USS Cole em 2000.
O local foi fechado após o governo lituano recusar receber Al-Hawsawi em um hospital, revelaram documentos da CIA. Ele e os outros três seguem agora detidos na Estação Naval de Guantánamo dos EUA.
Em 2018 o Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH) ordenou aos governos da Lituânia e Romênia, na última das quais se encontra outro lugar de tortura da CIA, pagar a Zubaydah e Nashiri € 100.000 (R$ 618.642,70, na conversão atual) cada em indenização pela violação da proibição de tortura da União Europeia.
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