Adereço de comédia de humor negro acaba sendo cabeça encolhida autêntica (FOTOS)

© AP Photo / Mary AltafferTsantsa (imagem de arquivo)
Tsantsa (imagem de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 11.05.2021
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Uma equipe de pesquisadores confirmou que uma cabeça humana encolhida usada várias vezes como acessório de produção cinematográfica é uma tsantsa cerimonial autentica e foi repatriada ao Equador, onde foi feita, segundo estudo publicado na revista Heritage Science.

Especialistas da Universidade Mercer nos EUA encontraram há alguns anos um artefato entre suas coleções e começaram o processo de autenticação. Através de tomografias computadorizadas e análise de características como o tamanho, estrutura facial e cabelo, detectaram que se trata de um artefato cerimonial original.

As tsantsas são artefatos únicos que foram produzidos até meados do século XX por povos amazônicos espalhados pelo Equador e Peru, como os shuar. Os cientistas explicam que as tsantsas eram feitas fervendo as cabeças dos inimigos mortos em combate. Durante a invasão cultural ocidental no século XIX estes artefatos se tornaram peças valiosas como lembranças.

Esta tsantsa em particular foi adquirida em 1942 por James Harrison, um ex-membro da Faculdade de Biologia de Mercer, e no final dos anos 70 foi emprestada para a produção do filme "Sangue Selvagem", onde aparece unida a um corpo falso.

É confirmado que estranha cabeça encolhida usada como adereço de filme é uma tsantsa verdadeira feita por comunidades amazônicas.

Antes de sua morte em 2016, Harrison afirmou em suas memórias que adquiriu o objeto como parte de troca com um membro de uma tribo na Amazônia equatoriana. Encheu a cavidade interior da cabeça com papel de jornal e a trouxe aos Estados Unidos para exibir.

No total, os cientistas confirmaram 30 de 33 indicadores de autenticação fornecidos pelo Instituto Nacional do Patrimônio Cultural do Equador, concluindo que é uma tsantsa autêntica e não se trata de uma falsificação. No entanto, os pesquisadores acreditam que algumas características autênticas do objeto poderiam ter sido danificadas durante a produção cinematográfica.

Os resultados do estudo foram aceitos pelo governo equatoriano e a peça cultural foi devolvido em meados de 2019. Os cientistas também fizeram uma réplica em 3D da tsantsa para fins culturais e históricos.

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