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Virologista comenta novo estudo da Fiocruz: carga viral maior não significa mais infecções

© Folhapress / Bruno Rocha /FotoarenaHomem se protege com máscara em vagão da linha 2 Verde do metrô de São Paulo.
Homem se protege com máscara em vagão da linha 2 Verde do metrô de São Paulo. - Sputnik Brasil, 1920, 01.03.2021
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Em entrevista à Sputnik Brasil, Davis Fernandes Ferreira, biólogo virologista e professor do Instituto de Microbiologia da UFRJ, analisou as consequências do estudo sobre a variante brasileira do novo coronavírus divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O novo estudo aponta que pessoas infectadas com a cepa detectada no Amazonas, chamada P.1, têm uma carga viral dez vezes maior do que adultos infectados por outras cepas do SARS-CoV-2. Ferreira afirma que esta é uma conclusão importante para entender as particularidades desta variante. No entanto, não é possível, a partir deste estudo, confirmar que esta é uma variante mais letal – ou até mesmo mais infecciosa.

O biólogo explica que ter maior carga viral significa que as pessoas infectadas produzem mais vírus. Por isso, quando tossem ou espirram, expelem maior quantidade de vírus, tornando mais fácil e provável a contaminação por outras pessoas, já que o sistema imune pode não dar conta de defender o organismo de uma alta carga viral. Ou seja: a cepa brasileira pode ser mais contagiosa pela quantidade de vírus produzida pelos infectados, e não pela infecciosidade, em si, da variante.

"A simples constatação de carga viral maior não implica que essa carga viral vai tornar as pessoas mais infecciosas. […] As pessoas produzem mais vírus, mas é preciso saber o quão infecciosos são esses vírus", diz Ferreira em entrevista à Sputnik Brasil.

O estudo da Fiocruz aponta que a carga viral da cepa brasileira não varia entre homens idosos e adultos de outras idades, nem entre homens e mulheres. Esta é uma particularidade desta variante – nas outras, homens idosos têm uma carga viral mais alta.

"Neste estudo, detectaram maior carga viral, mas não sabemos qual a infecciosidade desses vírus. Só alguns deles são muito infecciosos ou a maioria é de vírus infecciosos? A gente não sabe", afirma o virologista.

Da mesma forma, não é possível afirmar que esta seja uma variante mais letal. O alto número de mortes em áreas onde esta cepa é detectada pode estar associado justamente ao maior número de pessoas infectadas. Isso porque, se uma variante viral infecta mais pessoas, é esperado que mais óbitos aconteçam.

"É difícil falar se é a mais letal. A letalidade é dada pelo número de infectados. Como não estamos testando em massa, a gente não sabe efetivamente quantas pessoas foram infectadas, quantas ficaram bem, ou quantas tiveram infecções assintomáticas, nem a porcentagem de óbitos dos infectados", avalia o especialista.
© Folhapress / Junio Matos/A CríticaEnfermeiros carregam cilindros de oxigênio em hospital de Manaus (AM). Familiares de internados precisam comprar oxigênio para manter os seus parentes vivos.
Virologista comenta novo estudo da Fiocruz: carga viral maior não significa mais infecções - Sputnik Brasil, 1920, 01.03.2021
Enfermeiros carregam cilindros de oxigênio em hospital de Manaus (AM). Familiares de internados precisam comprar oxigênio para manter os seus parentes vivos.

Cepa se espalhou pelo Brasil e pelo mundo

Apesar de ter surgido no Amazonas, ao menos outros 18 estados já detectaram infecções pela variante. Os últimos a informarem que detectaram a nova cepa foram Mato Grosso e Maranhão. A variante brasileira também já se espalhou por outros países: neste domingo (28), o governo do Reino Unido anunciou que identificou seis casos de contaminação.

Ferreira destaca que as variantes são algo dentro do esperado para uma pandemia viral: quanto maior a circulação de um vírus, mais mutações ele vai sofrer, dando origem a diferentes cepas.

"Diminuir variantes é diminuir números de infecção. Quanto menos um vírus infectar outras pessoas, menor a chance de variantes aparecerem", explica o biólogo.

Para isto, é essencial que as medidas de prevenção a infecções continuem sendo seguidas: ainda levará um tempo até que se possa aglomerar novamente e deixar de usar máscara e lavar as mãos assim que se chega em casa.

"Não dá para a gente relaxar. As pessoas têm que ter um pouco mais de paciência e continuar seguindo as regras de isolamento social", finaliza o virologista.
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