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Falta de chuvas e redução de cabeças de gado facilitaram incêndios no Pantanal, diz especialista

© Folhapress / Lalo de AlmeidaBombeiros e brigadistas combatem incêndio florestal no Pantanal.
Bombeiros e brigadistas combatem incêndio florestal no Pantanal. - Sputnik Brasil
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O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) contabilizou mais focos de queimadas no Pantanal nos 13 primeiros dias de agosto deste ano do que durante o mês inteiro em 2019.

Mesmo sendo metade do tempo, o número absoluto de focos de incêndio já apresentou alta de 53%.

Para Angelo Rabelo, coronel da Reserva da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso do Sul, criador e diretor do Instituto Homem Pantaneiro, o aumento nos focos de incêndios no bioma do Pantanal neste ano se deve a dois fatores. O primeiro deles seria a falta de chuvas.

"Nós dependemos da chuva que cai no planalto e este ano elas vieram 40% a menos, não fazendo o processo de inundação, que é fundamental para toda renovação de vida no Pantanal, isso fez com que várias áreas que estavam inundadas nos últimos 30 anos ficassem vulneráveis , facilitando que o fogo entrasse", disse à Sputnik Brasil.

Outro fator para o aumento das queimadas, segundo Angelo Rabelo, é a diminuição de cabeças de gados.

"Nesses últimos 30 anos nós tivemos um empobrecimento do Pantanal, pelo menos a uma redução de mais de 1,5 milhão de cabeças de gado e nós temos o gado como bombeiro do Pantanal. Muitas áreas sem nenhuma atividade e isso facilita justamente a consolidação desse grande volume de matéria orgânica", declarou.

No Pantanal, quando há um período de seca, os fazendeiros levam bois para pastar, fazendo com que a matéria orgânica acumulada seja reduzida.

Angelo Rabelo diz que o aumento das queimadas no Pantanal traz perigosas consequências socioeconômicas e ambientais.

"O impacto dos incêndios no Pantanal é muito grande pela intensidade do fogo e ele traz um impacto socioeconômico e ambiental, nós estamos com as famílias há 90 dias respirando fumaça", disse.

Segundo o coronel da Reserva da PM-MS, muitos animais não conseguiram escapar dos incêndios e o fogo atacou principalmente árvores frutíferas na região, afetando a reprodução dessas espécies da flora do Pantanal.

"Ambientalmente nós não temos ainda uma possibilidade de avaliar, [...] mas muitos animais não tiveram a possibilidade de escapar desse fogo. Temos aí uma consequência adicional que é o fato desse fogo estar queimando muita vegetação, principalmente árvores frutíferas que são fundamentais em um período de reprodução que começa a partir desse próximo mês. A perda da biodiversidade é expressiva e mesmo com esforço de todos os atores a situação realmente traz um grande prejuízo", completou.
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