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Piloto israelense recorda operação de há 39 anos que destruiu reator nuclear iraquiano

© AFP 2021 / Ramzi HaidarO reator nuclear iraquiano Tammuz (Osirak), bombardeado por Israel durante um ataque aéreo em 1981 em al-Toweitheh, cerca de 30 quilômetros a sudeste de Bagdá, é mostrado a jornalistas, 09 de setembro de 2002
O reator nuclear iraquiano Tammuz (Osirak), bombardeado por Israel durante um ataque aéreo em 1981 em al-Toweitheh, cerca de 30 quilômetros a sudeste de Bagdá, é mostrado a jornalistas, 09 de setembro de 2002 - Sputnik Brasil
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Para o piloto principal da missão, Israel tinha de destruir o reator nuclear iraquiano antes que fosse acionado. Mas a chave para o Oriente Médio está na paz, não na guerra, defende.

Na manhã da missão, em 7 de junho de 1981, antes de decolar no jato F-16 de fabrico norte-americano que bombardearia Osirak, o reator nuclear iraquiano, o piloto Zeev Raz não sentiu medo. Sentiu, isso sim, a enorme responsabilidade que recaía sobre seus ombros.

"Havia muita tensão. Quando você é o piloto principal, é totalmente diferente. Você não pensa em sua vida ou na família que está deixando para trás. Tudo em que você se concentra é na logística e no alvo", afirmou Zeev Raz.

Localizado a mil quilômetros de Israel e a 17 quilômetros a sudeste de Bagdá, Osirak era considerado uma séria ameaça para Israel, cuja liderança suspeitava que as armas de destruição em massa ali em desenvolvimento seriam usadas contra o Estado judaico.

O Iraque negava as acusações, garantindo que a instalação tinha unicamente fins pacíficos.

Missão impossível?

Mas chegar ao local com oito jatos de fabrico norte-americano, cada um carregando duas bombas de uma tonelada, não era uma tarefa nada fácil.

© Sputnik / Vitaly BelousovSubúrbios de Bagdá, Iraque
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Subúrbios de Bagdá, Iraque

Raz e a sua equipe de sete pilotos tiveram que superar uma série de dificuldades antes de chegar ao destino, a começar por sérias dúvidas sobre se o combustível seria suficiente para ir e vir.

Quando, em 1981, o então premiê israelense Menachem Begin tomou a decisão de atacar, Israel não estava ainda apto a reabastecer em voo, o que só viria a acontecer um ano depois.

Tampouco podiam parar no caminho para Bagdá, pois a rota passava por países que não tinham relações diplomáticas com Tel Aviv.

Contudo, adiar a operação não era uma opção, por o reator estar quase a entrar em funcionamento. Caso isso acontecesse, a repercussão do bombardeio seria devastadora para o meio ambiente e causaria enormes perdas humanas.

"É por isso que precisávamos aproveitar a oportunidade e atacar", lembrou Raz, acrescentando que estava convicto de que encontrariam na ida ou na vinda muitos jatos iraquianos.

Voo tranquilo

Apesar de o ataque ter sido realizado em meio à violenta guerra Irã-Iraque, que pressuporia um alto nível de alerta entre os iraquianos, seu sistema de defesa aérea deixava muito a desejar, não tendo os F-16 se deparado com qualquer oposição.

© AFP 2021 / Jack GuesCaça israelense F-16 D (foto de arquivo)
Piloto israelense recorda operação de há 39 anos que destruiu reator nuclear iraquiano - Sputnik Brasil
Caça israelense F-16 D (foto de arquivo)

Nem mesmo o fato do reator já ter sido atacado um ano antes pelos iranianos fez Bagdá aumentar a segurança em torno da instalação, uma falha explorada pelos israelenses.

"Eles simplesmente não estavam prontos, o que foi espantoso. Eu estava convicto de que eles nos interceptariam 15 minutos antes da operação ou certamente na nossa saída", relatou Raz, cujos comandantes deram instruções e dinheiro iraquiano para que os pilotos pudessem se ejetar e sobreviver caso seus jatos fossem abatidos.

A operação foi bem sucedida, graças aos bons dados de inteligência, aliados a meses de excelente treinamento e meticulosos preparativos e cálculos, confidenciou Raz.

Ataque valeu a pena?

A operação seria alvo de condenação internacional, quer pelo fiel aliado EUA, quer pela ONU, que aprovou uma resolução contra Tel Aviv, criticando Israel pelo ataque, o assassinato de dez soldados iraquianos e um civil francês.

A missão acabaria igualmente por minar as relações bilaterais de Israel com a França, que tinha construído o reator iraquiano, e atraiu igualmente críticas da imprensa internacional.

O Iraque nunca viria a reconstruir o reator e, em 2010, equacionou processar Israel pelas perdas sofridas em resultado da operação.

A importância da missão também reside no fato de ter sido a primeira vez que legisladores israelenses autorizaram uma tal operação, criando um precedente para futuros governos.

Raz acredita que a solução para o Oriente Médio não passa pela guerra mas sim pela paz, "como fizemos em 1979 e 1994", se referindo aos acordos de paz com o Egito e a Jordânia.

Contudo, acha que "as consequências de não bombardear aquele reator poderiam ter sido terríveis para Israel", concluiu.

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