Guerra por vacinas: por que China e EUA querem coisas opostas com 'trunfo' contra COVID-19?

© REUTERS / Dado RuvicElaboração de vacina contra a COVID-19 (imagem referencial)
Elaboração de vacina contra a COVID-19 (imagem referencial) - Sputnik Brasil
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Em meio à guerra de acusações entre Estados Unidos e China quanto à origem do coronavírus, diversos países iniciaram uma corrida para desenvolver uma vacina para o vírus.

Nesta fase de guerra multidimensional de Trump contra China, nasce o que pode se tornar uma nova Guerra Fria, acompanhada de uma guerra farmacológica, onde as empresas chinesas China Resources e Sinopharm ocupam o topo da lista de gigantes do setor.

De forma significativa, o jornal Wall Street Journal – da emissora Fox, que é muito próxima ao presidente dos EUA Donald Trump, descreve o "nacionalismo das vacinas" como "uma nova dinâmica na corrida para esmagar o coronavírus", que se centra no manejo nacional "para imunizar primeiro sua população".

Esta abordagem levaria a um bloqueio das exportações endógenas dos EUA, assim como dos desenvolvimentos e alcances geopolíticos norte-americanos, sem proporcionar a identidade do país que leva a dianteira, analisa Alfredo Jalife-Rahme, colunista da Sputnik Mundo.

"A vacina do coronavírus representaria um prêmio monumental para o país capaz de manufaturar a grande escala, um triunfo civilizatório comparável à chegada à Lua. Permitiria ao vencedor reviver sua economia muitos meses antes dos demais e, então, selecionar quais aliados teriam rapidamente seus fornecimentos, centrando a recuperação global em sua produção médica", comenta o jornal norte-americano.

De acordo com o esboço panorâmico das vacinas candidatas, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) – 46 dias depois de sua taxonomia de 11 de abril – aparecem dez em "evolução clínica":

  • Universidade de Oxford/AztraZeneca nas fases 1/2 e 2b/3 (Suécia/Reino Unido);
  • CanSino Biological Inc./Instituto de Biotecnologia de Pequim nas fases 1 e 2;
  • Moderna/NIAID nas fases 1 e 2 (EUA);
  • Instituto de Produtos Biológicos de Wuhan / Sinopharm, na fase 1/2;
  • Instituto de Produtos Biológicos de Pequim / Sinopharm, na fase 1/2;
  • Sinovac (China), na fase 1/2;
  • Novavax (EUA) na fase 1/2;
  • BioNTech/Fosun Pharma/Pfizer (EUA) na fase 1/2;
  • Instituto de Biologia Médica/Academia de Ciências Médicas da China, na fase 1;
  • Inovio Pharmaceuticals (EUA) na fase 1.

Desta forma, é possível constatar que, dos dez principais candidatos, cinco são chineses, quatro norte-americanos e um se trata de uma parceria entre britânicos e suecos.

Posição chinesa quanto ao desenvolvimento de uma vacina

De acordo com uma pesquisa realizada por Jalife-Rahme, a China está à frente nesta corrida, uma vez que suas empresas do setor farmacêutico somadas possuem um forte peso para realizar investimentos. Scott Gottlieb, ex-diretor da Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA, na sigla em inglês), em uma ressonante entrevista ao canal CBS, não ocultou sua preocupação de que a China esteja à frente dos EUA na competição para desenvolver uma vacina.

Por sua vez, o jornal Global Times, porta-voz oficial do Partido Comunista da China, alertou que os Estados Unidos "buscam o monopólio da vacina".

Xi Jinping, presidente do gigante asiático, em uma reunião anual do Partido Comunista, comentou que o "desenvolvimento da vacina na China será um bem público global" e "constituirá a contribuição da China para assegurar a acessibilidade em países em desenvolvimento".

Para o colunista, a postura samaritana de Xi colide com a conduta egoísta das grandes multinacionais farmacêuticas ocidentais que usariam a vacina de forma eminentemente geopolítica.

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