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Novo ministro da Saúde recebe uma 'batata quente' de Bolsonaro, diz médico

© Folhapress / Bruno Rocha / FotoarenaFachada de prédio do Ministério da Saúde, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em 16 de março de 2020
Fachada de prédio do Ministério da Saúde, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em 16 de março de 2020 - Sputnik Brasil
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A troca da chefia na pasta da Saúde foi uma medida precipitada de Bolsonaro, afirmou o médico clinico e economista David Zylbergeld Neto nesta sexta-feira (17).

Nesta sexta-feira (17), o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, toma posse em Brasília. Após sua nomeação, Teich declarou que não haverá "definição brusca" em relação às medidas de isolamento social. O oncologista e empresário foi escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro nesta quinta-feira (16).

Para David Zylbergeld Neto, especialista em Medicina Clínica e MBA em Economia e Gestão de Saúde (UNIFESP), o novo ministro tem competência para assumir o cargo, mas considerou a mudança na chefia da Saúde de "intempestiva, indevida e totalmente fora de hora".

"Sei que ele [Teich] tem uma carreira brilhante como médico oncologista, tem vários títulos adquiridos no exterior. Não tenho menor dúvida, sei que ele é um profissional muito respeitado no Rio de Janeiro", disse o especialista para Sputnik Brasil.

"Mas ele pegou uma batata quente, pois dada a qualidade dele, não tenho menor dúvida que ele vai fazer exatamente aquilo que [Luiz Henrique] Mandetta estava fazendo, porque essa é a regra do jogo, seguir fielmente os postulados orientados pela Organização Mundial da Saúde e da comunidade médico-científica nacional e internacional", acrescentou Zylbergeld Neto.

O clínico acrescentou que nada se sabe ainda sobre a doença COVID-19, além do fato dela "ser avassaladora" e que somente o isolamento social pode conter a pandemia. Portanto, do ponto de vista técnico, não havia motivos para troca da liderança de um setor vital em tempos de crise. O ministro Mandetta estava fazendo um bom trabalho, seguindo "todos os padrões protocolares da Organização Mundial da Saúde (OMS)", e contava com amplo apoio da comunidade médico-científica do mundo inteiro e do Brasil.

David Zylbergeld Neto destaca que, ao aceitar o cargo, Nelson Teich declarou que não pretende "mudar nada e que com o tempo vai flexibilizar, de forma gradativa, o isolamento social, exatamente como o ministro Mandetta falou".

"Por que a troca, se o doutor Nelson, que é um homem respeitado, um homem sério, um homem da ciência, vai fazer a mesma coisa que o ministro estava fazendo? Por que se trocou o ministro? Nós sabemos porque foi trocado. Mas aqui não cabe vaidade nem autoritarismos. Aqui o que vale é ter o cuidado com a população brasileira", alertou o médico.

Para Zylbergeld Neto, os números falam por si. Quanto mais rápido se abrir o isolamento social, maior será o número de pessoas infectadas.

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