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Descubra qual seria a nossa dieta no inverno nuclear

© Sputnik / Sergei PyatakovNuvem de cogumelo em uma instalação no Museu da Vitória em Moscou, Rússia
Nuvem de cogumelo em uma instalação no Museu da Vitória em Moscou, Rússia - Sputnik Brasil
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Muito se especula sobre o destino da humanidade caso uma potência nuclear use seu arsenal contra um inimigo. Um grupo de cientistas, contudo, estuda como agir em um inverno nuclear.

Pesquisadores analisaram precedentes na história geradores de condições semelhantes às que seriam experimentadas em uma situação de guerra nuclear para entender melhor as opções alimentares que a humanidade disporia e qual seria seu custo.

Há problemas de cultivo

No cenário de uma guerra nuclear, uma nuvem negra e oca poderia envolver o céu e bloquear a luz solar, provocando uma queda drástica da temperatura na Terra. As principais regiões com aptidão agrícola perderiam sua capacidade de produção, o que causaria fome em uma escala global.

A Aliança sem fins lucrativos para alimentar a terra em desastres (ALLFED, na sigla em inglês), se dedica a investigar como poderá ser assegurado o suprimento mundial de alimentos em caso de catástrofe global.
De acordo com um estudo publicado em 2008, fungos poderiam sobreviver tanto ao holocausto termonuclear quanto ao inverno nuclear subsequente. Portanto, em um cenário de frio intenso, a humanidade ainda teria uma chance de se salvar.

"A conclusão do estudo foi que quando os humanos se extinguissem, o mundo voltaria a ser governado por fungos. Eu disse então: 'Espere um pouco. Por que não comemos cogumelos e não somos extintos?'", afirmou David Denkenberger, o engenheiro mecânico da Universidade do Alasca que administra o instituto, citado pelo Business Insider.

A economia alimentar entraria em colapso

Se uma catástrofe global ocorresse hoje, as atuais lojas de alimentos secos poderiam alimentar cerca de 10% da população mundial por 5 anos, segundo Denkenberger.

Outro problema é que a alta demanda aumentaria os preços, o que tornaria os alimentos inacessíveis para a maioria da população. Armazenar no imediato grandes quantidades de alimentos também não é viável, pois custaria bilhões de dólares e levaria muito tempo. No entanto, nem tudo está perdido.

Como os fungos não dependem da fotossíntese, eles podem sobreviver sem muita luz. O mesmo se aplica às algas, pelo que ambos poderiam ser produzidos a um custo muito baixo em grandes quantidades.

Qual seria a dieta do dia do Juízo Final

Para consumir os nutrientes adequados para prevenir doenças, os seres humanos devem ter uma dieta variada e não apenas com base em uma única fonte alimentar.

Dieta de Denkenberger apelidada no dia do Juízo Final soma 2.100 calorias por dia e contém um misto de carne, ovos, açúcar e cogumelos. Também inclui dentes-de-leão e chá de folhas agulha de árvores que contêm vitamina C. As bactérias de crescimento natural serviriam como fonte de vitamina E, que é importante para a função cerebral.

De acordo com o cientista, devemos continuar estudando outras fontes de alimentos naturais que possam crescer perto da Linha do Equador, onde haveria ainda alguma luz solar ainda que com temperaturas baixas.

É preciso criar uma proteína do ar

Empresas, como a dinamarquesa Unibio ou a estadunidense Calysta, já estão estudando como criar proteínas a partir de gases como metano e nitrogênio para substituir as proteínas de origem vegetal ou animal. A NASA também se predispôs a estudar possibilidades de processamento do carvão para dele obter proteínas.
Para Denkenberger, é possível igualmente extrair açúcar e proteínas de folhas, alimentos que poderiam alimentar as pessoas durante uma catástrofe local.

Atualmente, sua organização sem fins lucrativos está procurando maneiras de cultivar alimentos em estufas próximas à Linha do Equador, onde ainda haveria alguma luz solar natural em caso de inverno nuclear, opção que também ajudaria em caso de outras catástrofes naturais provocadas por terremotos e furacões.

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