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Taxação de exportações agrícolas argentinas pode impactar Brasil e Rússia, diz especialista

© Sputnik / Vitaly Timkiv / Abrir o banco de imagensColheita do trigo no sul da Rússia
Colheita do trigo no sul da Rússia - Sputnik Brasil
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No último sábado (14), o presidente da Argentina, Alberto Fernández, decidiu aumentar as tarifas sobre as exportações agrícolas.

A medida é a primeira ação na área econômica do novo governo e tem como objetivo estabilizar os preços dos alimentos no mercado argentino e tentar elevar a arrecadação em meio à crise.

Em entrevista à Sputnik Brasil, José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), disse que as medidas podem impactar o comércio exterior brasileiro.

"Elas podem ter indiretamente um impacto negativo sobre o comércio exterior brasileiro, principalmente porque essas medidas, aumentam o custo de produção da Argentina e isso faz com que a Argentina deixe de gerar divisa e sem gerar divisa não tem como importar produtos manufaturados do Brasil", disse.

Por outro lado, segundo José Augusto de Castro, o aumento das tarifas sobre as exportações agrícolas podem reduzir a produção de grãos da Argentina, já que o custos de exportação vão ficar elevados e, consequentemente, beneficiar o Brasil.

"Essa redução da produção de grãos pode vir indiretamente a beneficiar o Brasil porque hoje o mercado mundial está mais ou menos equilibrado, se você tem uma redução de um dos três fabricantes (Brasil, Estados Unidos e Argentina) naturalmente provoca um desequilíbrio entre oferta e demanda e isso faria com que os preços subissem teoricamente beneficiando o Brasil e os Estados Unidos", projetou.

De todo o trigo que o Brasil importa, a Argentina é o principal fornecedor. Aproximadamente 50% do consumo de trigo no Brasil vem do país vizinho.

"O lucro da taxação pode ser completamente absorvido pela taxa do governo e isso desestimularia o produtor. Desestimulando a produção, naturalmente o preço do trigo da Argentina sobe, assim como o preço do trigo mundial", explicou o presidente da AEB.

Segundo José Augusto de Castro, o Brasil pode ter que buscar novos mercados para importar trigo, por conta das medidas do governo de Alberto Fernández, e a Rússia pode ser beneficiada.

"É possível [que a Rússia seja beneficiada], embora a distância seja um fator de custo adicional, mas é possível porque na hora você pode usar a importação do trigo da Rússia como uma forma de abertura de mercado para produtos manufaturados brasileiros na Rússia. É questão de negociação", completou.
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