Enquanto Brasil vende mais café e América Latina exporta mais, nem tudo é uma festa

© AFP 2022 / VANDERLEI ALMEIDA Notas de real (foto de arquivo)
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Desvalorização de moedas latino-americanas propiciou aumento das exportações da região, mas efeitos negativos também são aguardados.

Enquanto o cobre chileno é vendido na moeda de seu país e o café brasileiro tem preço dependente do real, as exportações de ambos os produtos alcançaram recordes históricos.

A razão disto estaria na desvalorização tanto do peso chileno como do real brasileiro diante do dólar americano, o que tornou os produtos mais baratos e, consequentemente, incentivou as exportações.

"No Brasil é como uma festa. [...] O montante exportado [de café] tem sido enorme, e continuará assim", declarou ao Financial Times o analista da Rabobank, Carlos Mera.

Ainda de acordo com a mídia, além do café, as exportações da soja brasileira alcançaram a marca de 10 milhões de toneladas em outubro e novembro, evento favorecido pela queda do real, o qual já se desvalorizou em 6% neste ano.

Já no Chile, o peso chileno registrou desvalorização de 8% no último mês e 10% ao longo do ano. No mesmo rumo de desvalorização, o peso argentino também registrou queda de 37% em 2019.

Como resultado, o dólar passou a ser comercializado a 60 pesos argentinos neste ano frente aos 10 pesos ainda em 2015, conforme publicou a Reuters.

Como resposta, os Bancos Centrais do Brasil e Chile tiveram que intervir em novembro para apoiar suas moedas nacionais após as mesmas alcançarem mínimos históricos diante da moeda americana, em meio a tensões sociopolíticas nas nações latino-americanas.

Lado obscuro da história

Apesar das maiores exportações, a desvalorização das moedas latino-americanas traz consigo alertas.

Em primeiro lugar, as importações podem ser afetadas, visto que os produtos estrangeiros deverão ganhar valor nos mercados latino-americanos.

Da mesma forma, a desvalorização das moedas nacionais afugenta o capital estrangeiro. A razão disto é que o capital prefere economias em crescimento com moedas mais estáveis e Estados mais fortes.

Além disso, a desvalorização da moeda nacional frequentemente provoca inflação, que é motivada com o aumento do valor das mercadorias importadas que, consequentemente, acarreta subida dos preços no mercado interno.

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