Analista explica porque sanções contra Huawei falham em 'afundar' empresa

© AFP 2022 / JACK TAYLORMulher mostra um novo smartphone feito pela manufaturadora chinesa Huawei, Londres, Reino Unido, abril de 2016
Mulher mostra um novo smartphone feito pela manufaturadora chinesa Huawei, Londres, Reino Unido, abril de 2016 - Sputnik Brasil
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Meses após aplicação de sanções, empresa aumentou suas vendas e superou concorrentes no mercado chinês.

Em entrevista a Sputnik China o especialista do Instituto de Pesquisas de Relações Internacionais da Universidade de Nanquim (China), analisou a situação da Huawei pós imposição de sanções norte-americanas.

"Eu suponho que as sanções dos EUA em relação à Huawei possam ter um determinado efeito. Mas considerando o fato que o mercado norte-americano não é primordial para a companhia, os efeitos das sanções a curto prazo serão muito limitados", disse à Sputnik China Gong Honglie, especialista do Instituto de Pesquisas das Relações Internacionais da Universidade de Nanquim.

As sanções não afundaram a Huawei. No primeiro semestre de 2019, a empresa registrou crescimento de 23% em sua receita, um resultado mais rápido que no ano anterior. Além disso, as vendas de seus smartphones aumentaram 31% na China.

"A Huawei se preparou para as sanções. Mesmo que os EUA tenham parado de fornecer componentes à empresa, isto não irá prejudicar sua atual atividade operacional. Isso inclusive é visto nos dados das estatísticas", afirma o especialista.

Desta forma, a gigante chinesa ocupa 38% do mercado interno de smartphones, mais do que qualquer outro concorrente.

Em grande parte, o sucesso da fabricante é explicado pelo forte sentimento patriótico dos chineses, os quais abdicaram de comprar prestigiosos modelos do iPhone para defender a marca nacional.

No mês de maio, o Departamento do Comércio dos EUA incluiu a Huawei em sua lista negra, em meio à guerra comercial com a China.

Produtores americanos de componentes e software para smartphones ficaram impedidos de fornecer seus produtos à Huawei.

Usuários de novos smartphones da empresa não poderão usar serviços como Google Play, Gmail e outros aplicativos.

O presidente da empresa, Ren Zhengfei, disse em junho que as sanções poderiam trazer um prejuízo de 30 bilhões de dólares à empresa, principalmente no mercado internacional.

"No entanto, se as sanções forem de longo prazo isso não será bom para Huawei. Estimular o mercado interno é algo possível apenas durante algum tempo. Mas o mercado de consumo é muito maduro. Por isso, as perspectivas da Huawei em geral dependerão da qualidade de seus produtos," disse Honglie.

É um fato que a empresa depende de componentes importados. No entanto, em caso de impossibilidade de receber tecnologia dos EUA, a empresa poderá contar com a ajuda do governo e aumentar seus gastos em pesquisa e desenvolvimento, os quais já atingem 15 bilhões de dólares.

Com isso, a empresa logrará maior qualidade para seus produtos e se tornará menos dependente da tecnologia norte-americana, o que também trará perdas bilionárias aos EUA.

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