Relatório estima que sanções dos EUA contra Venezuela tenham causado mais de 40 mil mortos

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As sanções dos EUA contra a Venezuela, introduzidas desde agosto de 2017, causaram a "morte de dezenas de milhares de pessoas e estão agravando a crise humanitária" no país, revelou o novo relatório do Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas (CEPR).

O estudo, realizado pelos economistas Mark Weisbrot e Jeffrey Sachs, estima que as medidas aplicadas pelo governo de Donald Trump causaram a morte de cerca de 40 mil pessoas na Venezuela entre 2017 e 2018.

"As sanções reduziram a disponibilidade de alimentos e remédios, aumentando as doenças e a mortalidade", lê-se no relatório do CEPR, com sede em Washington.

Quanto a outras consequências, as sanções contribuíram para uma forte redução na produção de petróleo, que causou grande prejuízo à população civil venezuelana, porque as exportações de petróleo são responsáveis pela maioria das receitas orçamentárias do país.

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As sanções aplicadas em agosto de 2017 proíbem que os investidores americanos comprem novas emissões de dívida de Caracas ou ações da petroleira estatal venezuelana PDVSA, bem como alguns outros títulos emitidos pelo setor público venezuelano.

Os autores do relatório sublinham que as novas medidas restritivas adotadas desde janeiro de 2019, após a autoproclamação do opositor Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela, "levaram quase certamente a dezenas de milhares de mortes evitáveis".

O estudo faz estimativas baseadas em "aproximadamente 80 mil pessoas com HIV que não receberam tratamento antirretroviral desde 2017, 16 mil pessoas que precisam de diálise, 16 mil pessoas com câncer e 4 milhões de pessoas com diabetes e hipertensão".

Segundo o estudo, desde janeiro desse ano, a produção de petróleo diminuiu devido às sanções, "o que acelerará em grande medida a crise humanitária".

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Nos últimos três meses, os EUA congelaram cerca de sete bilhões de dólares de ativos da PDVSA. Além disso, eles entregaram a Guaidó o controle sobre os fundos do governo venezuelano depositados nos bancos em território americano e sancionaram o Banco de Desenvolvimento Econômico e Social da Venezuela (BANDES) e suas subsidiárias no Uruguai e na Bolívia.

Jeffrey Sachs acredita que as medidas tomadas pelos EUA fazem parte de "uma política implacável, infrutífera, ilegal e fracassada, que causa sérios danos ao povo venezuelano".

O segundo autor do estudo, Mark Weisbrot, considera que "isso é ilegal segundo o direito americano e internacional e os tratados que os EUA assinaram" e, por isso, apela ao Congresso para suspender as sanções.

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