Análise: apelo de Trump aos militares venezuelanos põe os EUA em 'situação estúpida'

© Sputnik / Sergei MamontovMilitares venezuelanos (imagem referencial)
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O presidente dos EUA, Donald Trump, pediu aos militares venezuelanos para deixarem de apoiar Maduro e aceitarem o autoproclamado "presidente interino", Juan Guaidó. Analista russo revela o que está por trás dessa declaração.

Em seu discurso perante imigrantes venezuelanos na Universidade de Miami, Trump apelou aos militares venezuelanos para retirarem seu apoio ao presidente venezuelano Nicolás Maduro e afirmou que, se não aceitarem essa proposta, poderiam "perder tudo". Maduro, por sua vez, acusou Trump de fazer um discurso de "estilo nazista" por pensar que pode dar ordens aos militares venezuelanos.

O cientista político Vladimir Shapovalov comentou estas declarações em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik.

"É uma violação grave das normas do direito internacional e a mais aberta intervenção nos assuntos de um Estado soberano. Um país que declara abertamente que a Rússia alegadamente está intervindo nos assuntos internos, nas eleições, de outros países, de fato, realiza uma intervenção similar nos assuntos de mais de uma dezena de países em uma base contínua", declarou o analista.

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Segundo Shapovalov, "o presidente dos EUA, de fato, dá ordens aos funcionários públicos do outro Estado soberano".

Para o especialista, Trump fez essas declarações porque o homem que os EUA querem ver como presidente da Venezuela não encontra apoio entre o povo venezuelano.

"O homem designado pelos EUA como presidente da Venezuela não consegue assumir o poder há um mês. Essa marionete americana praticamente não tem apoio nenhum na Venezuela, apesar dos esforços diplomáticos, políticos, financeiros e de pressão política dos EUA e seus aliados. O povo venezuelano continua resistindo firmemente a essa pressão", explicou ele.

De acordo com o analista, "os EUA, que se encontram em situação estúpida, não têm outro remédio senão dar tal tipo de ordens aos funcionários públicos de outro país".

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Segundo Shapovalov, essas ações de Washington não darão resultado porque os militares e funcionários da Venezuela não prestarão juramento a Guaidó. 

"Provavelmente, essa reação fará mais uma vez os EUA perecerem tolos, eles não atingiram o efeito desejado, porque essas medidas duras, sem-cerimónia, no estilo da diplomacia das canhoneiras, diplomacia da época da Doutrina Monroe, fazem com que o povo contra o qual esse tipo de ultimatos é lançado se junte e se consolide. Ora, os EUA costumam perder esse tipo de guerras. É de lembrar o Vietnã, o Afeganistão que os americanos são obrigados a deixar", disse ele.

"Acredito que essa declaração de Trump é uma manifestação de agonia da política americana de derrubar o presidente Maduro, legitimamente eleito", concluiu ele.

A tensão política na Venezuela aumentou desde que, em 23 de janeiro, Juan Gerardo, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela e líder da oposição, se declarou presidente interino da Venezuela.

Os EUA e vários países da Europa e América Latina, inclusive o Brasil, reconheceram Guaidó como presidente interino do país. A Rússia, China, Cuba, Bolívia, Nicarágua, Turquia, o México, Irã e muitos outros países manifestaram apoio a Maduro como presidente legítimo e exigiram que outros países respeitem o princípio de não interferência nos assuntos internos do país latino-americano.

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