Guerra comercial entre EUA e China está se tornando 'nuclear'?

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Subsecretário americano para Segurança Internacional e Não-Proliferação, Christopher Ford, anunciou ao jornal Financial Times que os EUA avisaram o Reino Unido do perigo de cooperação com a China na esfera de energia nuclear, em particular, de possível roubo de tecnologias e reforço do potencial militar nuclear do gigante asiático.

A participação da China na construção da usina nuclear de Hinkley Point, a primeira a ser construída no Reino Unido em 20 anos, tornou-se alvo de ataques de políticos e especialistas tanto americanos como europeus. E anteriormente muito se falava sobre motivos comerciais perante medo da entrada de chineses nos mercados ocidentais.

Em especial, havia rumores sobre a China estar se preparando para expandir tecnologias de reatores nucleares. Mas em Hinkley Point, a corporação China General Nuclear Power Corporation (CGN) participa apenas financeiramente, investindo 8 bilhões de dólares (R$ 29,2 bilhões) e recebendo 33,5% das ações do projeto.

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Além da empresa chinesa, na construção participa companhia francesa EDF responsável por dois reatores nucleares capazes de produzir 3.200 megawatts.

Segundo críticos, a CGN chinesa teria entrado na construção de Hinkley Point para conseguir outros projetos e, consequentemente, vender suas tecnologias, o que seria primeiro caso de exportação de tecnologias nucleares da China para o Ocidente.

Levando em conta a guerra comercial entre os EUA e a China, especialistas ocidentais decidiram recorrer a acusações mais sérias — roubo de tecnologias. Christopher Ford declarou isso abertamente, acrescentando que tem provas de que CGN, recebendo acesso à informação importante, rouba tecnologias nucleares civis e transfere para militares chineses.

Será que tal retórica de Washington influencia cooperação sino-britânica na esfera energética? O especialista do Instituto de Pesquisas Financeiras, Liu Yiung, falou com a Sputnik China sobre o assunto.

"A pressão dos EUA no Reino Unido freará o projeto, mas se a pressão pode ou não interferir na cooperação sino-britânica na esfera energética em geral, com certeza, depende do posicionamento do governo britânico. Além disso, a cooperação é trilateral com participação da China, Reino Unido e França. O Reino Unido pode reforçar controle do projeto, mas isso não necessariamente interferirá na realização do mesmo", disse o especialista chinês.

A cooperação trilateral e o intercâmbio de tecnologias são práticas comerciais comuns, declarou Liu Yiung, acrescentando que os EUA acusam em vão a China de roubo de tecnologias e procuram criar obstáculos à atividade comercial normal.

A bandeira da República Popular da China e as Estrelas e Listras dos Estados Unidos tremulam pela Avenida da Pensilvânia, perto do Capitólio dos EUA, durante a visita de Estado do presidente chinês, Hu Jintao em 18 de janeiro de 2011 (foto de arquivo). - Sputnik Brasil
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O analista tem certeza de que o Reino Unido e a China previram tudo no contrato, inclusive a defesa da propriedade intelectual. Caso contrário, os britânicos não teriam nem começado a cooperar com os chineses.

Estados Unidos estão preocupados com o crescimento chinês na esfera de energia nuclear, pois ameaça o monopólio americano no mercado de tecnologias de ponta, opina Liu Yiung.

Em se tratando das sanções impostas pelos EUA, o analista acredita que "não vale excluir que os EUA continuarão aplicando medidas análogas. Além disso, eles tentarão limitar com força maior operações de fusão com participação de empresas chinesas. Por exemplo, as fusões planejadas pela corporação petrolífera chinesa CNOOC nos EUA não são da esfera de tecnologias de ponta e são comportamento normal no mercado, mas os EUA criam obstáculos a tais negociações", diz Liu Yiung.

Recentemente, representantes da corporação chinesa CGN comentaram limitações introduzidas pelos EUA na área de fornecimentos de materiais e equipamento chineses à esfera de energia nuclear civil. CGN chamou as decisões norte-americanas de "absolutamente inoportunas" e declarou poder "defender seus direitos legítimos". Então, as afirmações de Christopher Ford, jogadas às pressas ao Financial Times, podem ser continuação da controvérsia iniciada.

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