Cientistas alertam que EUA podem usar pesquisa sobre insetos para produzir arma biológica

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Placas de aviso perto dos armazéns de armas químicas russas antes de serem destruídas - Sputnik Brasil
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Um programa de pesquisa do Departamento de Defesa dos Estados Unidos para proteger plantações alterando os genes de insetos pode violar a Convenção Internacional sobre Armas Biológicas, alertaram 5 pesquisadores europeus em um artigo publicado na revista Science nesta quinta-feira.

"Se for bem sucedida, a técnica poderia ser usada por agentes maliciosos para ajudar a espalhar doenças em quase todas as espécies e devastar colheitas", informou o artigo, que é de autoria dos pesquisadores franceses e alemães, incluindo o geneticista Robert Guy Reeves, do Instituto Max Planck de Biologia Evolucionária na Alemanha e o biólogo evolucionista Christophe Boete, do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento da França.

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A Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA) lançou o projeto "Aliados de insetos" em Arlington, no estado norte-americano da Virgínia, em 2016, com o objetivo de usar insetos como pulgões para infectar culturas com vírus feitos sob medida que podem fornecer certos genes para amadurecer as plantas, os pesquisadores explicaram.

O objetivo, diz a DARPA, é encontrar uma nova maneira de proteger as plantas das ameaças emergentes. Mas os pesquisadores disseram que o programa poderia ser facilmente percebido como um esforço secreto para produzir uma arma biológica.

"No contexto dos objetivos declarados do programa da DARPA, é nossa opinião que o conhecimento a ser adquirido deste programa parece muito limitado em sua capacidade de melhorar a agricultura dos EUA ou responder a emergências nacionais", explicaram.

"Como resultado, o programa pode ser amplamente percebido como um esforço para desenvolver agentes biológicos para fins hostis e seus meios de entrega, que — se for verdade — constituiriam uma violação da Convenção sobre Armas Biológicas", acrescentaram.

O chefe do programa da DARPA, Blake Bextine, afirmou em uma declaração nesta quinta-feira que discorda da opinião dos cientistas.

"Eu aprecio o pensamento que entrou na crítica do programa apresentado na [revista] Science, embora eu discorde de suas conclusões. Tecnologias que lidam com segurança alimentar e edição genética certamente têm um nível mais elevado do que a maioria para transparência, ética em pesquisa e engajamento regulatório. e acredito que os Aliados dos Insetos atendem ao padrão elevado", avaliou Bextine.

A Convenção sobre Armas Biológicas de 1972 é um tratado internacional assinado por 182 nações, incluindo os Estados Unidos e a Rússia, que proíbe a produção e estocagem de uma classe inteira de armas de destruição em massa, segundo um site da ONU.

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A publicação do artigo surge em meio a crescentes preocupações globais sobre o possível desenvolvimento encoberto de armas biológicas.

Também na quinta-feira, o major russo Igor Kirillov, comandante das tropas de defesa radiológica, química e biológica das Forças Armadas russas, acusou os Estados Unidos de realizar uma pesquisa de guerra biológica em grande escala usando laboratórios localizados na Geórgia, Ucrânia, Azerbaijão, Uzbequistão e outros lugares.

O porta-voz do Pentágono, Eric Pahon, negou a afirmação de Kirillov de que uma dessas instalações na Geórgia, o Centro de Saúde Pública e Pesquisa de Lugar, esteja sendo usada para o desenvolvimento de armas biológicas.

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