Análise: Washington empurra Europa para o colo da Turquia com sua guerra comercial

© REUTERS / Murad SezerPresidente turco Recep Tayyip Erdogan discursando em comício em Istambul - 5 de março de 2017
Presidente turco Recep Tayyip Erdogan discursando em comício em Istambul - 5 de março de 2017 - Sputnik Brasil
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Em meio a sanções estadunidenses contra Ancara, o cientista político e especialista em relações turco-americanas, Can Baydarol, comentou à Sputnik a recente libertação dos dois militares gregos detidos na Turquia e as declarações dos responsáveis oficiais europeus em apoio aos turcos na sequência da queda de lira.

Na opinião do interlocutor da Sputnik Turquia, estes acontecimentos podem ser considerados como o presságio de uma nova etapa nas relações entre a Turquia e a UE.

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"Após os EUA terem iniciado uma guerra econômica contra a Turquia, os países da União Europeia começaram a fazer declarações importantes. Primeiro o Parlamento Europeu, depois o ministro da Economia e Energia da Alemanha, Peter Altmaier, a chanceler alemã, Angela Merkel, e uma série de políticos italianos se manifestaram em defesa da Turquia. A última, por sua vez, também deu um passo simbólico ao encontro da Europa, liberando dois militares gregos que tinham estado em uma prisão turca por mais de 5 meses", contou o especialista.

De acordo com ele, esse passo foi recebido positivamente por parte de Atenas que logo reagiu ao gesto convidando o ministro da Defesa turco, Hulusi Akar, para visitar a Grécia.

"A meu ver, tudo isso indica que no futuro a Turquia e a UE, que ficaram no mesmo lado da barricada na confrontação com a política estadunidense, vão tomar mais medidas ativas conjuntas", ressaltou Baydarol.

Na opinião do especialista, as tendências positivas que surgiram nas relações turco-europeias não são meramente conjunturais.

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"Por exemplo, em seu comunicado oficial a Alemanha destacou que o aumento das tendências de crise na economia turca não corresponde aos interesses de Berlim. Deste modo, aqui se trata de relações baseadas em vantagens mútuas. Por isso, eu suponho que em um futuro breve se pode esperar passos positivos em tais questões como a renovação do acordo da União Alfandegária e a liberalização do regime de vistos entre a Turquia e a UE", observou.

Encaixando nessa lógica, prossegue Baydarol, os EUA declararam de fato uma guerra econômica não apenas contra a Turquia, mas também contra a UE.

"Hoje em dia na Turquia operam 22 mil empresas estrangeiras, que no total contam com cerca de 50% das exportações. Entretanto, 70% destas empresas são companhias europeias, sendo 6 mil delas alemãs. Desse jeito, as tendências negativas na economia turca afetam diretamente essas empresas, prejudicam os interesses da Alemanha e dos outros países europeus", frisou.

Enquanto isso, o especialista refere que nessa situação não se pode descartar também o fator militar:

"Um dos cenários mais temíveis para a UE é a possível saída turca da OTAN. A revisão por Ancara da sua política no que se trata dos refugiados sírios ou da defesa pode virar um pesadelo para a Europa. É por essa causa que eu considero o degelo das relações entre a Turquia e a UE como um fenômeno a longo prazo. Acredito que se trata do início de uma nova etapa nas relações entre elas. Isto não é idealismo, mas o resultado da formação de um novo equilíbrio de forças e interesses influenciado por fatores externos em mudança."

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