Turquia sai da lista dos maiores detentores de dívida pública dos EUA

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Em junho, a Turquia reduziu seus investimentos na dívida do governo dos EUA, por isso saiu da lista dos maiores detentores de títulos do Tesouro dos EUA. Isto é evidenciado pelos dados do Ministério das Finanças dos Estados Unidos.

No mês analisado, os investimentos de Ancara na dívida pública dos EUA caíram para US$ 28,8 bilhões (aproximadamente R$ 112 bilhões), enquanto em maio o valor era de US$ 32,6 bilhões (cerca de R$ 127 bilhões). A Turquia reduziu continuamente seus investimentos nos títulos do governo dos EUA desde novembro do ano passado. Então seu volume era de US$ 61,2 bilhões (R$ 239 bilhões) — mais do que o dobro do atual.

A Rússia saiu da lista em maio, quando reduziu drasticamente seus investimentos em títulos estatais dos Estados Unidos — de 48,7 bilhões de dólares (R$ 190 bilhões) para 14,9 bilhões de dólares (R$ 58 bilhões). Em junho, os investimentos na dívida pública dos EUA não mudaram em comparação a maio.

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A China permaneceu na liderança da lista em junho. Seu investimento é estimado em US$ 1,179 trilhão (R$ 4,6 trilhões), o que é 0,4% menor em relação a maio. Em segundo lugar está o Japão — seus investimentos diminuíram 1,75% em relação ao mês anterior e estão estimados em US$ 1,03 trilhão (R$ 4 trilhões). O terceiro maior detentor da dívida nacional dos EUA é o Brasil, com investimento de US$ 300,1 bilhões (R$ 1,1 trilhão), um aumento de 0,3% em relação a maio.

Recentemente, as relações entre a Turquia e os EUA deterioraram-se drasticamente devido à introdução de direitos comerciais e ao caso do pastor Andrew Brunson, detido pelas autoridades turcas em 2016.

Na semana passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, aprovou um aumento para o dobro nas tarifas sobre o alumínio e aço da Turquia — para 20% e 50%, respectivamente. Por causa disso, a taxa de câmbio da lira turca caiu drasticamente em relação ao dólar e ao euro, atingindo mínimos históricos. Desde o início do ano, ela se desvalorizou em relação a essas moedas em mais de 40%.

Na segunda-feira (13), o Banco Central turco anunciou que forneceria toda a liquidez necessária aos bancos locais em detrimento das reservas. Como resultado, a taxa de câmbio da lira parou de cair em relação ao dólar.

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Além disso, no início de agosto, o Departamento do Tesouro dos EUA impôs sanções contra o chefe do Ministério da Justiça da Turquia, Abdulhamit Gul, e o chefe do Ministério do Interior, Suleyman Soylu, acusando-os de "graves violações dos direitos humanos".

Na terça-feira (14), a Turquia anunciou um boicote aos produtos eletrônicos americanos, além de ter prometido anteriormente abandonar o uso de materiais de construção americanos. O presidente Recep Tayyip Erdogan disse que agora está sendo realizado "um ataque econômico" contra o país. No dia anterior, o líder turco anunciou tarifas adicionais sobre tabaco, álcool, carros, cosméticos, arroz e frutas.

O porta-voz do presidente turco, Ibrahim Kalyn, disse que Washington, com suas ações, quase levou as relações com Ancara a uma ruptura completa, adicionando que a Turquia está discutindo a transição para o comércio em moeda nacional com a Rússia, a China e outros países. Reação em cadeia: a crise global começará com o colapso da lira turca

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As sanções dos EUA contra a Turquia causaram o colapso da lira turca, seguida por outras moedas de mercados emergentes, principalmente a América Latina. Desvalorizou o real brasileiro e a moeda do México, Chile e Colômbia. O rublo russo, sofrendo baixas durante dois anos em meio a sanções dos EUA, ficou sob dupla pressão.

Os analistas não excluem que a crise cambial na Turquia cobrirá os mercados emergentes e, eventualmente, levar a um colapso financeiro global.

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