Macron ameaça Trump e diz que EUA podem ser expulsos do G7

© REUTERS / Kevin LamarqueO presidente norte-americano, Donald Trump, ao lado do líder francês, Emmanuel Macron, durante visita à França
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Se Donald Trump não se importa em "estar isolado", então o G7 poderia muito bem ser o G6, disse Emmanuel Macron nesta quinta-feira. O presidente francês criticou o líder estadunidense por tarifas "improdutivas" e impedir que outras nações lidassem com o Irã.

Quando repórteres perguntaram a Macron se o problema com Trump era que ele "não se importava" em ficar isolado, Macron assumiu um tom hostil, lembrando à mídia que nenhum presidente "é para sempre".

"Os seis países do G7 sem os Estados Unidos são um mercado maior juntos do que o mercado americano", declarou Macron, ao lado do primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau. "Talvez o presidente americano não se importe em ficar isolado hoje, mas não nos importamos de ser seis, se for necessário".

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Os comentários de Macron chegam enquanto os líderes dos países do G7 se preparam para se reunir em uma cúpula comercial no Canadá, que os analistas esperam que se transforme em um confronto nos acordos comerciais, dada a repetida insistência de Trump de que os EUA têm "os piores negócios já feitos".

O líder francês também criticou a recente decisão de Trump de impor tarifas de importação de aço e alumínio da Europa, Canadá e México.

"Eu gostaria de dizer ao Sr. Trump que as medidas tomadas são contraproducentes. Não podemos nos envolver em uma guerra comercial contra os amigos", destacou, afirmando que a ação dos EUA é "unilateral e ilegal".

"Uma guerra comercial não poupa ninguém. Começará, em primeiro lugar, a prejudicar os trabalhadores norte-americanos, e o custo das matérias-primas aumentará, e as indústrias se tornarão menos competitivas", advertiu Macron.

Macron já havia tentado um tom mais conciliatório com Trump e foi apelidado de "fofoqueiro de Trump" por alguns na mídia. Agora, ele passou a dizer que não haveria "hegemonia mundial" e que os seis outros países, excluindo os EUA, representam "uma força real no nível internacional" hoje.

O tom público cada vez mais hostil segue uma conversa telefônica na semana passada entre Macron e Trump, que fontes disseram à rede CNN que era "muito ruim" e "terrível". Solicitado a comentar sobre esses relatórios, Macron comparou a chamada à "salsicha" e citou a reportagem. Otto von Bismarck, estadista prussiano do século 19, que disse que "se explicássemos às pessoas como as salsichas eram feitas, é improvável que elas continuassem a comê-las".

"Então, eu gosto quando as pessoas veem a refeição pronta, mas eu não estou convencido de que os comentários da cozinha ajudem a entregar a refeição ou comê-la", disse Macron.

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Apesar das esperanças iniciais, Macron não teve a influência sobre Trump que alguns esperavam. Ele foi forçado a assistir enquanto o presidente dos EUA abandonou o acordo climático de Paris e rompeu o acordo nuclear com o Irã, que a Europa esperava desesperadamente que os EUA cumprissem.

A decisão de Trump de impor tarifas sobre as importações de aço e alumínio da União Europeia, Canadá e México parece ter sido a gota d'água, no entanto.

Talvez tudo tenha começado a piorar durante uma visita de Macron a Washington em abril, quando Trump publicamente limpou um "pequeno pedaço de caspa" da jaqueta do presidente francês, anunciando aos repórteres na sala que era apenas uma tentativa de "fazê-lo ficar perfeito".

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