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Pastoral da Terra denuncia: assassinatos no campo atingem maior pico desde o governo Lula

© Marcelo Camargo/Agência BrasilMovimento dos Sem Terra (MST)
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O Brasil registrou 71 assassinatos por conflitos agrários no ano passado, se consolidando como o mais violento desde 2003, primeiro ano do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apontou o mais recente relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgado nesta semana.

De acordo com o estudo, o crescimento das mortes no campo vem seguindo uma alta já registrada em 2016, quando 61 pessoas foram vítimas de homicídios em disputas agrárias. Porém, há um componente mais grave: o aumento no número de massacres e chacinas.

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Em entrevista à Sputnik Brasil, o presidente da CPT, dom André de Witte, revelou que 31 assassinatos registrados no campo no ano passado – 44% do total – ocorreram em cinco massacres. O dado poderia ser ainda pior, já que as tentativas de homicídios aumentaram 63%, assim como as ameaças de morte (13%).

"Faz 33 anos que foi criado essa documentação e nela a gente constata tantos conflitos com tantos mortos. Há o elemento da impunidade, que poderia melhorar a situação de enfrentamento dessa violência […] a agressividade cresceu muito e explica essa realidade dramática", lamentou.

Dos 5 massacres citados, 4 ocorreram na Amazônia, de acordo com o levantamento. Em Pau D’Arco, no Pará, 10 trabalhadores rurais foram assassinados por policiais militares e civis. Já em Colniza, em Mato Grosso, um massacre resultou na morte de 9 posseiros. Um madereiro seria o mandante dos homicídios.

Para o presidente da CPT, a necessidade de terra para o homem e para a mulher do campo se contrapõe ao interesse de grandes latifúndios, estes ligados a grandes empresas e pessoas poderosas, gerando um concentração de terra que desemboca em conflitos armados. A impunidade em casos do gênero só agrava a situação.

Além dos números assustadores e preocupantes, Witte ponderou que a crueldade dos assassinatos é outro aspecto que demonstra o tamanho do acirramento dos ânimos no campo. Assim, a situação agrária que é regulada apenas pelo "mundo capitalista e suas leis" pode piorar ainda mais.

"Há muita terra em situação não regularizada. Tem muita terra pública, às vezes até ocupada por grandes latifúndios, e isso gera problemas. É nisso que acontecem os conflitos e os pequenos são os mais vulneráveis […] voltando à palavra do Papa Francisco: 'quando o lucro está no centro de tudo, o perigo para pessoa humana aumenta'", declarou.

Os conflitos de terra no Brasil voltaram ao noticiário recentemente, quando o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu habeas corpus a um dos mandantes já condenado pelo assassinato da missionária norte-americana Dorothy Stang, em 2005, em Anapu, no Pará.

A decisão judicial, segundo o presidente da CPT, só fortalece a ideia de "dupla criminalização" das vítimas, que acabam não sendo só alvo de ameaças e assassinatos, mas também de uma segunda violência quando da soltura ou não identificação dos mandantes, estes amparados por decisões judiciais nem sempre claras.

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"Falei da irmã Dorothy e também em Anapu o padre José Amaro Lopes de Sousa está preso [sucessor da missionária, acusado por associação criminosa e outros crimes]. Parece que os fazendeiros fizeram fila para acusá-lo. A Justiça concedeu habeas corpus ao mandante da morte dela, mas negou ao padre. Chama a atenção isso", opinou.

A CPT promete manter o trabalho de acompanhamento e divulgação dos dados envolvendo conflitos agrários no país, com a expectativa de poder ajudar no enfrentamento da violência no campo. No momento, porém, os números não apontam para um cenário otimista. "O número [de assassinatos]  segue subindo. É um clima tenso que não cessa", concluiu.

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