Jornalista português: detenção de Vyshinsky na Ucrânia é tentativa de 'matar o mensageiro'

© AFP 2022 / GENYA SAVILOVChefe da agência de notícias RIA Novosti Ucrânia, Kirill Vyshinsky, no Tribunal de Kherson, na Ucrânia, em 17 de maio de 2018
Chefe da agência de notícias RIA Novosti Ucrânia, Kirill Vyshinsky, no Tribunal de Kherson, na Ucrânia, em 17 de maio de 2018 - Sputnik Brasil
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A comunidade jornalística internacional não para de repercutir o caso da detenção do chefe da agência de notícias RIA Novosti Ucrânia, Kirill Vyshinsky, pelo Serviço de Segurança da Ucrânia, em 15 de março. A Sputnik Brasil falou com um jornalista português para saber sua opinião sobre o recente incidente.

De acordo com Domingos Manuel Martins Mealha, jornalista português licenciado pela Faculdade de Jornalismo da Universidade Estatal de Moscou Lomonosov, estes relatos, entre outros casos com jornalistas na Ucrânia, "refletem o que se conhece sobre a atual situação naquele país e a forma como são cometidos e permitidos atentados às elementares liberdades democráticas".

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"Fazer de jornalistas o alvo de práticas de perseguição política é uma atitude que merece particular repúdio. Na impossibilidade de conter a resistência e a contestação, o poder e os seus apoiantes decidem ‘matar o mensageiro'", sublinha o jornalista luso.

Segundo Domingos, tais atos não contribuem para a resolução de problemas, mas pelo contrário criam "novas dificuldades objetivas e subjetivas a qualquer solução de democracia, desenvolvimento e justiça".

O caso de Vyshinsky, em opinião do entrevistado, "vem descredibilizar ainda mais aqueles que insistem em mostrar como democrático o regime hoje instalado na Ucrânia".

"Ao conhecer esta notícia, o mínimo que se pode exigir é a imediata libertação de Vyshinsky e a restauração de condições para que naquele país todos os jornalistas possam trabalhar em liberdade, sujeitos apenas às regras da deontologia profissional e avaliados por uma opinião pública informada e consciente", frisa o jornalista.

Em 15 de maio, efetivos do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU, na sigla em ucraniano) invadiram o escritório onde trabalham os correspondentes da RIA Novosti em Kiev, tendo realizado buscas que duraram cerca de oito horas. No mesmo dia se tornou público que em Kiev foi detido o chefe do portal RIA Novosti Ucrânia, Kirill Vyshinsky.

Hoje (17), foi comunicado que o Tribunal de Kherson, na Ucrânia, decretou a prisão por 60 dias para o jornalista.

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