Google vs Pentágono: funcionários da empresa não desejam relações com militares

© AFP 2022 / STAFF Sede do Pentágono em Washington, EUA
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Mais de 3,1 mil funcionários do Google assinaram uma carta coletiva expressando seu protesto contra o envolvimento da corporação em um programa do Pentágono que prevê a utilização da inteligência artificial (IA) para aumentar as capacidades de drones militares, comunicou nesta quarta-feira (4) a edição The New Your Times.

De acordo com a edição, a carta, assinada inclusive por engenheiros seniores da corporação, reflete um choque de cultura entre as empresas e o governo federal dos EUA quanto à questão de utilização da AI para fins militares. 

"Acreditamos que o Google não precise de se envolver no negócio militar. Por isso, pedimos que o Project Maven seja cancelado, e que o Google elabore, publique e aplique uma política clara de que nem o Google nem seus funcionários jamais construirão tecnologias para a guerra", se lê na carta coletiva, citada pela edição.

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Em junho de 2017, o Pentágono começou a financiar o Project Maven, que visa promover a introdução de tecnologias da IA na área militar. Segundo comunicou o analista Gregory Allen do Centro da Nova Segurança Norte-americana, de Washington, em dezembro do ano passado o Departamento de Defesa dos EUA utilizou elementos de IA contra combatentes do grupo terrorista Daesh (proibido na Rússia e em vários outros países) nos países do Oriente Médio. A nova tecnologia foi elaborada para monitoramento e análise das imagens obtidas por drones de reconhecimento da Força Aérea dos EUA. 

Em entrevista à Sputnik Internacional, a analista Belinda Barnet, professora acadêmica na Universidade de Hawthorn, Austrália, comentou esta questão polêmica. 

"Fico feliz por ver que os funcionários do Google expressam sua opinião. Caso eu trabalhasse na empresa, diria o mesmo e protestaria do mesmo jeito", assinalou.

"A bem dizer, a Internet e muitas outras tecnologias não existiriam sem gastos militares, tais como o circuito integrado ARPANET [rede operacional de computadores e precursor da Internet]", reconheceu a especialista.

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"A história da colaboração entre universidades, empresas e militares é longa", afirmou, acrescentando que o fato de os funcionários do Google estarem se expressando contra o Projeto Maven demonstra que eles "não desejam tais relações" no momento.

Segundo Belinda Barnet, os riscos, ou melhor dizendo, os perigos que acompanham o projeto têm a ver com a aplicação da vasta experiência do Google na área de IA:

"Os riscos é que estão sendo desenvolvidas tecnologias altamente avançadas que ainda não existem, usando a experiência dos conhecimentos do Google nessa área."

Quando perguntada sobre a possível resposta à carta por parte da administração da corporação, a especialista ressaltou que o Google já várias vezes atendeu às demandas dos funcionários:

"No passado, o Google ouvia seus funcionários. Não posso prever o que acontecerá nesse caso", concluiu.

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