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Concorrente do dólar? Analista avalia decisão da Rússia de aceitar pagamentos em petro

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Em 3 de abril o ministro venezuelano de Comércio Exterior, José Vielma Mora, declarou que a Venezuela utilizará sua própria criptomoeda como parte do pagamento por componentes automotivos importados da Rússia. O analista financeiro Dmitry Golubovsky revelou os prós e contras dessa decisão.

Para o especialista, a Rússia precisa de dólares em troca de exportações porque a criptomoeda é, de fato, obrigações da Venezuela perante seus credores, como quaisquer outras dívidas em que a Venezuela já ludibriou. 

"Por isso acho que não é uma boa ideia. O governo, que já desarrumou um sistema monetário, arruinaria o outro. O fato de que se trata de uma criptomoeda não muda nada. É uma espécie de unidade de conta lastreada pelas obrigações dos seus emissores", disse ele ao serviço russo da Rádio Sputnik.

Golubovsky sublinhou que os EUA estiveram contra o lançamento do petro e ameaçavam com sanções contra as entidades que planejavam usá-lo. Grandes empresas ou fornecedores não realizarão pagamentos com petro: não é um ativo líquido e ainda não está claro o que é possível fazer com essa criptomoeda no futuro, e como classificá-la na contabilidade. 

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela no Fórum Internacional Semana da Energia da Rússia - Sputnik Brasil
Venezuela irá pagar empresa russa com criptomoeda estatal
"Além disso, a utilização do petro pode causar problemas com reguladores norte-americanos, porque qualquer grande exportador, de uma forma ou de outra, ao trabalhar com dólar norte-americano deve levar em conta a postura do país emissor dessa moeda", explicou ele.

Para analista, até que o dólar continue sendo a principal moeda da economia mundial, a opinião dos EUA importa.

Entretanto, Golubovsky opinou que uma criptomoeda merece atenção. Através do petro é possível estabilizar o sistema financeiro interno e substituir a divisa nacional que perdeu a confiança do povo.

Logo do petro – a nova criptomoeda nacional da Venezuela - Sputnik Brasil
Petro venezuelano: xeque-mate ao dólar?
Em 20 de fevereiro de 2018, Caracas começou a pré-venda da nova criptomoeda, o petro, lastreada por mais de cinco bilhões de barris de petróleo. Entretanto, em janeiro, Washington advertiu que os cidadãos dos EUA que investirem nessa criptomoeda serão perseguidos pela justiça por causa das sanções impostas contra Caracas.

Vários economistas opinam que o petro representa um golpe duro para os domínios econômicos e financeiros dos EUA. Com a nova criptomoeda venezuelana é possível realizar transações diretas sem passar pelas instituições financeiras controladas pelos EUA.

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