'É a natureza que manda': cidade angolana vem lutando há quase 90 anos contra deserto

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Já há 87 anos, a cidade de Tômbwa, situada no extremo sul angolano entre oceano Atlântico e o deserto do Namibe, vive lutando contra areias que avançam em direção à cidade.

As primeiras medidas da proteção da localidade, que está limitada de um lado pelo deserto e pelo mar do outro, começaram ainda em 1931.

Até 1975 foi criada uma zona de contenção com árvores ao longo de 100 hectares, segundo afirma Lusa Lucas Lipulene, responsável do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF) do Tômbwa, citado pelo Diário de Notícias.

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Durante a guerra civil angolana (1975-2002), pessoas foram obrigadas a queimar madeira por causa da falta de abastecimento de gás butano: 10 anos foram suficientes para reduzir significativamente a cortina florestal de proteção.

Segundo Lusa Lucas Lipulene, o deserto continua ameaçando, pois se trata de um fenômeno natural. O IDF apenas pode minimizar o avanço das areias com plantação de árvores.

"Só nos últimos anos, a areia já tomou conta do cemitério do município, dando o mesmo destino ao novo que foi, entretanto, construído "sem que ninguém tivesse sido lá enterrado. Também os muros do quartel dos bombeiros foram engolidos pela areia", conta engenheiro que desde 1995 se dedica à contenção do avanço do deserto para a localidade.

O problema do avanço das areias preocupa localidades locais. Benvinda Mateus, administradora-adjunta do município do Tômbwa, confessou à agência Lusa que "é um dos motivos que às vezes nos faz perder o sono".

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As autoridades da província do Namibe, com apoio do governo israelense, contam com um plano de reflorestação que já permitiu a colocação de 20.000 estacas de Tamarix, planta angolana que em dois anos atinge um metro de altura e já tem 20 quilômetros de extensão.

Além de proteger a área, este arbusto pode produzir alimentos para os animais. Essas medidas, conforme Lucas Lipulene, já tem ajudado a combater desertificação. No entanto, Benvinda Mateus admitiu a necessidade de realizar estudo de impacto ambiental sobre os efeitos que a areia do deserto tem nas acessibilidades do município.

"Mas estamos no deserto, temos fortes ventos e é a natureza que manda", resumiu a administradora-adjunta.

CC0 / Paulo César Santos / Tômbwa, Angola
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Tômbwa, Angola

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