Cientistas desenvolvem primeiros porcos semi-humanos

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Biólogos moleculares da Califórnia desenvolveram, pela primeira vez, embriões quiméricos com células humanas e ovinas.

"Isso nos aproxima do cultivo de órgãos humanos dentro de animais", declararam cientistas durante conferência na Associação Americana pelo Avanço da Ciência em Austin, capital do estado norte-americano do Texas. 

"Há poucas células humanas dentro deste embrião. Ele jamais se transformaria em algo parecido com um porco ou ovelha com rosto ou cérebro humano. Em média, somente uma de mil ou dez mil células foi 'herdada' do ser humano", informou Hiro Nakauchi da Universidade de Stanford, EUA.

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Há cerca de 15 anos, biólogos começaram a discutir a possibilidade de xenotransplante — transplante de órgãos entre diferentes espécies. Para que essa ideia se torna realidade, cientistas acreditavam que eles deveriam "obrigar" o sistema imunológico a não rejeitar os órgãos "invasores".

Até hoje essa tarefa não foi resolvida. Há um ano que um famoso geneticista americano, George Church, chegou o mais perto possível da solução desta pesquisa com a ajuda do editor genômico CRISPR/Cas9, desenvolvendo os primeiros porcos parcialmente "humanizados".

Hiro Nakauchi junto com seus colegas Juan Belmonte e Pablo Ross, usaram o mesmo método para criar órgãos humanos para transplante, desenvolvidos dentro do organismo suíno.

Eles podem ser criados através da introdução de células-tronco humanas no embrião do porco ou outro animal durante um restrito período do desenvolvimento, produzindo assim a chamada "quimera" – organismo que consiste de dois ou mais conjuntos de células heterogêneas.

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Segundo os cientistas, os primeiros embriões quiméricos suínos e humanos tiveram poucas células humanas, somente 1 em 10 mil células foi herdada do Homo sapiens. Para solucionar esse problema, os cientistas fizeram vários experimentos em ovelhas.

Além disso, os cientistas declararam que eles conseguiram implantar com sucesso células humanas dentro do embrião ovino e aumentaram sua participação em 10 vezes. De acordo com eles, os embriões quiméricos estavam se desenvolvendo bem durante os primeiros 28 dias e poderiam se tornar seres vivos, mas o experimento foi interrompido devido a questões éticas.

Os cientistas chegaram à conclusão de que é necessário realizar experimentos mais prolongados, com um período de até três meses, para descobrir quais órgãos formarão células humanas e como isso afetará a aparência e o sistema nervoso das ovelhas.

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