Em ritmo de campanha: Maduro confirma candidatura e oposição luta para recuperar terreno

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A campanha presidencial da Venezuela começou. O atual dono do cargo e favorito, Nicolás Maduro, iniciou com um tom nacionalista enquanto seus rivais lutam para encontrar um nome que possa enfrentá-lo nas urnas.

Os críticos de Maduro, que sucedeu Hugo Chávez em 2013, afirmam que ele destruiu uma economia próspera e transformou o país em uma ditadura ao enfraquecer o sistema eleitoral. 

Refinaria de petróleo (imagem ilustrativa) - Sputnik Brasil
Maior refinaria de petróleo da Venezuela está completamente paralisada
A coalizão de Maduro, por sua vez, acredita que ele luta contra uma conspiração direitista determinada a acabar com o socialismo na América Latina, prejudicar a economia venezuelana e roubar seu petróleo. 

"Donald Trump não é o chefe da Venezuela", sentenciou Maduro na terça-feira em discurso horas depois da Assembleia Nacional Constituinte aprovar decreto antecipando as eleições presidenciais de dezembro para 30 de abril.

Já nesta quarta-feira (24), ele confirmou que será candidato à reeleição. Com uma recessão de quatro anos, a aprovação de Maduro está em queda livre. 

O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, disse no Twitter que Maduro é um "ditador" e chamou as eleições antecipadas de "antidemocráticas" e "inconstitucionais".

Sanções internacionais contra a Venezuela pioraram um cenário de falta de alimentos. O país registra uma das maiores inflações do mundo.

Nicolás Maduro, presidente de Venezuela - Sputnik Brasil
Maduro não descarta pegar em armas para 'defender a paz e a democracia'
Ainda assim, Maduro resiste. Em 2017, protestos que duraram cerca de três meses deixaram mais de 100 mortos.

"O povo governa na Venezuela, não impérios", afirmou Maduro, acompanhado por jingles da última campanha. "Estou pronto… Nós vamos ganhar grande".

A oposição

Apesar do delicado momento de Maduro, a oposição também enfrenta dificuldades. Seus dois principais nomes, Leopoldo López e Henrique Capriles, estão impedidos de concorrer. 

"A eleição será realizada nos termos de Maduro, permitindo que ele assegure sua vitória", disse a consultoria Eurasia. "Tudo isso tem o custo do aumento do isolamento internacional, algo que o governo parece disposto a aceitar para não perder o poder".

Alguns setores da oposição acreditam que é inútil participar das eleições já que a justiça eleitoral favorece Maduro e seu partido e ignora o uso de recursos estatais para campanha política. 

O governo, entretanto, nega as acusações e diz seu sistema eleitoral é o mais limpo do mundo.

"A ditadura não quer eleições livres. Ninguém na Venezuela ou no exterior deve apoiar outra das farsas de Maduro", disse Antonio Ledezma, ex-prefeito de Caracas que escapou de sua prisão domiciliar e hoje vive na Espanha. 

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Um possível boicote às eleições complicaria os planos da coalizão oposicionista Mesa da Unidade Democrática — que pretende realizar primárias para escolher seu candidato. 

Dois líderes da oposição, Henry Ramos e Henri Falcón, já anunciaram aspirações presidenciais. Mas nenhum deles consegue atingir um consenso. Ramos é visto como ultrapassado por alguns setores enquanto Falcón é enxergado com desconfiança por sua relação com o chavismo no passado. 

Anunciando sua candidatura na quarta-feira, Falcón disse que Maduro era incapaz de resolver a crise do país, acrescentando: "Precisamos nos livrar desse governo, de forma democrática".

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