China responderá à ingerência dos EUA em disputas territoriais modernizando seu exército?

© AP Photo / XinhuaUma das ilhas pequenas no mar da China Oriental conhecido como Senkaku no Japão e Diaoyu na China (foto de arquivo)
Uma das ilhas pequenas no mar da China Oriental conhecido como Senkaku no Japão e Diaoyu na China (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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Os EUA apoiam o Japão na disputa territorial com China sobre o mar da China Oriental, declarou o secretário de Defesa dos EUA, James Mattis, durante o encontro com seu homólogo japonês, Itsunori Onodera, em Manila.

Durante o encontro, ambos os ministros se manifestaram contra ações unilaterais no mar do Sul da China, inclusive a militarização dos territórios disputados, se referindo à China. Declarações deste tipo levam ao aumento da confrontação e tensão na região, afirmam analistas consultados pela Sputnik China.

Fu Ying, presidente do comitê para os assuntos exteriores do Congresso Nacional do Povo, declarou na sessão do Clube Valdai que a China é contra o envolvimento de terceiras partes em suas disputas territoriais com os vizinhos.

Ela também confirmou a disponibilidade da China para negociar sobre as ilhas, mas se expressou contra a atribuição a estas disputas de um caráter de confronto geopolítico desnecessário. Ela sublinhou que a ingerência de outros países, em primeiro lugar dos EUA, cria o risco de que simples disputas virem conflitos geopolíticos.

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Esta posição foi, de fato, completamente ignorada pelos EUA e Japão. Para eles foi importante consolidar a posição da aliança e efetuar uma nova pressão político-militar sobre a China. Pequim, por sua vez, não está interessado em confrontações. No entanto, a modernização militar de grande escala é considerada como uma prioridade, conforme as conclusões do último congresso do Partido Comunista que se deu entre 18 e 24 de outubro em Pequim. A resolução sublinha a necessidade de tornar o Exército de Libertação Popular nas forças armadas mais avançadas do mundo.

O diretor do Instituto de Estudos Orientais da Academia de Ciências da Rússia, Dmitry Mosyakov, acredita que a posição antichinesa, anunciada durante o encontro entre Mattis e Onodera, faz recuar as relações de Tóquio e Washington com Pequim.

"As relações da China com Filipinas mostram que a discussão bilateral dos problemas entre dois países leva a determinado sucesso", diz Mosyakov.

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Quanto à posição dos EUA e Japão sobre o mar da China Oriental, o analista afirma que se trata do regresso ao passado, ou seja, ao aumento da confrontação e não à busca de compromisso sobre ilhas Diaoyudao (Senkaku).

"Infelizmente, isto são sinais de que a busca da resolução do conflito fica cada vez mais problemática", afirmou.

O diretor do Centro de Estudos do Pacífico Sul do Instituto Chinês de Relações Internacionais, Shen Shishun, por sua parte, considera que os EUA usam Japão para conter a China.

"É óbvio que por trás de tudo isso está o objetivo de criar dificuldades para a China. Isso diz especialmente respeito aos EUA. Os EUA tentam conter a China por meio de terceiros países", opina o especialista.

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Ele lembra que a atual disputa territorial entre China e Japão se deve originalmente à política realizada pelos EUA depois da Segunda Guerra Mundial. Estes territórios pertencem à China historicamente. Os EUA alteram intencionalmente os fatos históricos e se aproveitam disso para provocar tensões ente China e Japão.

"É uma tentativa infrutífera, que pode apenas despertar os sentimentos patrióticos da China, mas nunca vai abalar o direito histórico e real da China às Diaoyudao", resumiu Shen Shishun.

O ministro da Defesa chinês, Chang Wanquan, destacou, no entanto, que seu país aspira à criação de uma Ásia ainda mais segura em interação com seus vizinhos.

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