Algo inesperado nas fronteiras europeias poderia entravar possível guerra com Rússia

© AP Photo / Mindaugas KulbisSoldados da OTAN
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Em meados de 2017, um comboio armado do exército dos EUA se deslocou por vários países da Europa no âmbito dos exercícios militares internacionais, mas logo se deu conta de que a burocracia fronteiriça pode se tornar um verdadeiro inimigo.

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Sim, é essa papelada que as tropas norte-americanas devem enfrentar cada vez que atravessam um país europeu no quadro da OTAN que pode atrasá-los em uma eventual guerra contra a Rússia. Esta ideia foi expressa pelo coronel americano Patrick Ellis em uma entrevista ao portal Defense One.

Ellis, que comandou o Segundo Regimento de Cavalaria dos Estados Unidos desde a Alemanha até à Bulgária, passando pela Hungria e Romênia até o mar Negro e, de lá, para a Geórgia, reclama que "às vezes o Ministério da Defesa [de um país] diz que você pode entrar, mas o Ministério do Interior tem suas próprias regras nas fronteiras, porque é ele quem as controla e não o Ministério da Defesa".

O comandante citou a sua "odisseia" à saída da Romênia como um exemplo.

"Entrar na Romênia foi bastante fácil, mas a verdade é que sair foi surpreendentemente difícil. Não é que eles não tenham feito seu trabalho bem, é que eles devem seguir um certo protocolo… Então, passamos uma hora e meia sentados em nossos veículos blindados debaixo do sol esperando até que eles verificassem alguns papéis", revela Ellis.

Noventa minutos nessa fronteira, mais 30 minutos em outra, mais uma, tudo pode perfazer bastante tempo. Isso, dada a distância de mais de 2 mil quilômetros, pode ser duro e é algo que os exércitos da OTAN encontrarão em uma possível guerra contra a Rússia no território europeu. Somente desde Stuttgart (Alemanha) até a fronteira com a Rússia na Letônia são 1.800 quilômetros.

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Por conseguinte, várias vozes na União Europeia apostam em criar uma espécie de zona militar Schengen, na qual os exércitos desfrutariam de livre circulação através dos países-membros. Entre os apoiantes da ideia está o tenente-general Ben Hodges, comandante das forças americanas na Europa, e vários ministros da Defesa.

Até que esse dia chegue, salienta o portal, pode haver pequenos passos a fim de simplificar as coisas para os exércitos à medida que eles passam pela Europa. Entre eles, tipificar a documentação nas fronteiras para que seja a mesma em todos os lugares.

O general responsável pela logística do exército dos EUA na Europa, Steven Shapiro, apresentou a sua explicação.

"Eu tenho um comboio com 100 veículos, ok, mas não são apenas 100 veículos, são esses 100 veículos e seus números de série, que acabam aparecendo em um documento, e cada vez que você atravessa a fronteira, você deve voltar a indicar esses 100 números de série em outra folha. Você atravessa a fronteira de novo e de novo vai apontá-los em um idioma diferente antes de poder seguir em frente", conta.

Nesse sentido, Shapiro seria muito mais fácil se houvesse um único documento em que figurariam todos esses 100 números de série "e que fosse multilingue", de modo a que "só precisasse ser preenchido apenas uma vez e não, digamos, 15 vezes".

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