'Crime de guerra': ex-oficial afirma que EUA fornecem armas aos rebeldes sírios

© REUTERS / Rodi SaidCombatentes das Forças Democráticas da Síria (FDS) em Raqqa (foto de arquivo)
Combatentes das Forças Democráticas da Síria (FDS) em Raqqa (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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Os alegados suprimentos norte-americanos de munições do tempo soviético aos rebeldes sírios não apenas "violam abertamente" as normas legais contra o financiamento do terrorismo, mas também correm o risco de provocar um conflito maior que abrangerá todo o Oriente Médio.

Foi o que afirmou à Sputnik Internacional Scott Bennett, ex-oficial de operações psicológicas do exército norte-americano e contraente de contraterrorismo do Departamento de Estado.

Armas indetectáveis

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Mais cedo, o Projeto de Relatórios de Corrupção e Crime Organizado (OCCRP, sigla em inglês) e a Rede de Relatórios Investigativos dos Bálcãs (BIRN) revelaram em um relatório que Washington estaria gerindo um fluxo de armas do tempo soviético no valor de US$ 2,2 bilhões para os rebeldes sírios.

O Pentágono estará trabalhando com contraentes e subcontratados da Europa Oriental e dos países do antigo campo soviético. As munições são alegadamente fornecidas às forças aliados dos EUA nas regiões do norte e do sul da Síria.

O Pentágono está fornecendo armas da época soviética aos rebeldes sírios porque "são essencialmente indetectáveis, têm um prazo de validade infinito e também são um recurso financeiro que pode ser usado a fim de continuar todos os conflitos", apontou Bennett.

Além disso, segundo ele, este fato não é uma surpresa, já que é uma "tática típica da estratégia de guerra diplomática dos EUA que tem sido usada há décadas e tem sido aplicada contra uma variedade de países nos últimos 70 anos" em diferentes partes do mundo.

Apesar de o Pentágono ter negado as alegações, Bennett argumentou que o relatório "deveria ser usado como uma evidência no Tribunal Penal Internacional da ONU numaa acusação contra os EUA por crimes de guerra bem como de crimes contra a humanidade".

"Mentira descarada" 

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O relatório também afirma que, nas entregas de munições o Pentágono estará usando "documentação falsa" para contornar as normas do Tratado de Comércio de Armas da ONU que visam impedir o desvio de armas para terroristas ou criminosos de guerra.

Em particular, o Pentágono está usando alegadamente certificados que referem seu Comando de Operações Especiais (SOCOM) como o consumidor final das armas fornecidas, em vez de mencionar a Síria como destino final. Em teoria, essa lacuna pode fazer com que o equipamento seja desviado para qualquer grupo militar ou rebelde, aponta o relatório.

"Os documentos dos EUA e os certificados de usuário final que justificam a aquisição e distribuição dessas armas indicam que os EUA estão enganando os países a quem compra as armas e os países através dos quais elas transitam e afirmando que seu objetivo é 'defesa dos EUA' e operações de estabilidade", apontou Bennet.

Ele acrescentou que os EUA estão usando linguagem legalmente retorcida que define aqueles que lutam contra o governo legítimo da Síria como "aliados e parceiros que apoiam os treinamentos, assistência na segurança e operações de estabilidade dos EUA".

"[Esta] não é apenas uma mentira descarada […], mas sim uma violação da ordem do presidente, do Congresso e da Constituição dos Estados Unidos, bem como das leis e políticas das Nações Unidas contra o financiamento do terrorismo", disse Bennett.

Além do mais, ele acrescentou que o fluxo contínuo de armas fornecidas pelos Estados Unidos para o Oriente Médio corre o risco de mergulhar a região em uma guerra infinita e fazer alastrar a hostilidade para os países e regiões vizinhos.

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