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Depois de reclamações, familiares de vítimas do acidente com Chapecoense receberão auxílio

© REUTERS / Paulo Whitaker Torcida do Chapecoense no estádio Arena Condá na cidade brasileira de Chapecó
Torcida do Chapecoense no estádio Arena Condá na cidade brasileira de Chapecó - Sputnik Brasil
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Após questionado o auxílio material que vem sendo prestado pela Chapecoense aos familiares das vítimas da tragédia de 29 de novembro, uma associação que reúne os afetados pela tragédia caminha para solucionar o problema.

Quem diz isso é o advogado Gabriel Andrade, presidente da Abravic, Associação Brasileira das Vítimas do Acidente com a Chapecoense. Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, Gabriel Andrade esclareceu diversas dúvidas que têm sido levantadas sobre a questão mas enfatizou que os familiares das vítimas precisam não só de auxílio como também de amparo e proteção:

“A questão da sobrevivência e da manutenção dos familiares das vítimas é muito importante para ser aqui abordada. Existe uma distorção muito grande por parte de alguns setores da mídia, e também por parte de algumas pessoas, como se todas as vítimas e seus familiares não precisassem de amparo financeiro, apoio psicológico, emocional, enfim. Na verdade, a gente está falando de 64 vítimas brasileiras e de 71 vítimas no total. Disso aí, pode-se fazer uma conta por alto e imaginar quantos familiares estão envolvidos entre pais, filhos, esposas, pessoas que, efetivamente, dependiam dos ganhos das vítimas fatais. Em alguns casos, há pessoas que possuem uma condição mais privilegiada e até receberam direitos decorrentes das relações jurídicas do trabalho ou mesmo receberam valores referentes a seguros de vida pessoais. Mas diversas outras pessoas não estão em condições mínimas de manter um nível de vida adequado e necessário. Então, eu chamo a atenção da mídia e das pessoas que às vezes criticam e julgam os familiares – ou mesmo, as próprias vítimas – que nós temos casos de extrema necessidade social. São pessoas que têm de ser abraçadas e acho que essas pessoas têm de ser ajudadas pela sociedade em geral.” 

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Gabriel Andrade, que tem mantido reuniões com a diretoria da Chapecoense para esclarecer as dúvidas surgidas sobre o apoio que o clube de Santa Catarina se comprometeu a prestar, explica as razões desta demora: 

“Em relação à Chapecoense, o clube teve que se reestruturar e reorganizar. O clube perdeu toda uma delegação – além de atletas, funcionários e diretores – e mais ainda, os jornalistas que estavam a bordo daquele voo. Esse problema, dentre outros, dificultou um pouco a celeridade desse processo de auxílio às famílias das vítimas.”

O presidente da Abravic diz não ter dúvidas de que o clube honrará seus compromissos com os familiares das vítimas:

“Os diretores da Chapecoense nos asseguraram que os recursos arrecadados com os amistosos da Chapecoense, inclusive com o Barcelona, serão rateados entre o Clube e os familiares das vítimas. Tive uma reunião há duas semanas com a diretoria do clube e o presidente (Plínio David de Nês, conhecido como Maninho) assegurou que 50% do lucro líquido arrecadado no amistoso com o Barcelona em Camp Nou será destinado às famílias das vítimas. Após o amistoso com a seleção do Brasil, surgiram questionamentos sobre estes pagamentos, de modo que tudo precisa ser feito com todo cuidado. Os familiares receberão os donativos em partes iguais, dentre o que corresponder a 50% dos valores arrecadados".

Gabriel Andrade conta que sugeriu à diretoria da Chapecoense criar um comitê de gestão de crise:

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“A Chapecoense estava prestando auxílios que ela repassou de forma esparsa, pagando psicólogos para as famílias que assim requeriam, arcando com despesas de viagens, hospedagens, escolas para algumas crianças mas nada de uma forma organizada ou melhor organizada. Foi então que surgiu a nossa Associação. Eu já tive quatro reuniões com os diretores da Chapecoense e falei o que a gente precisava fazer uma estruturação desse auxílio para que a Chapecoense pudesse prestar sua função social que é auxiliar as famílias das vítimas dessa tragédia, independentemente de questões financeiras, políticas ou jurídicas. E o Presidente Maninho, que me recebeu bem todas as vezes, foi enfático ao assegurar que não faltará auxílio da parte dele.”

Ainda de acordo com o presidente, a Abravic está proporcionando assistência psiquiátrica e psicológica aos familiares das vítimas:

“Nós, da Associação, através de recursos captados junto à iniciativa privada, vimos pagando auxílio escolar até o importe de 600 reais por criança, todas filhas das vítimas do acidente. E também estamos dando amparo psicológico e psiquiátrico. Por sinal, quero agradecer à direção da Associação Brasileira de Psiquiatria que está nos ajudando a obter especialistas que estão atendendo, gratuitamente, essas pessoas.”

Além da Abravic, uma outra entidade de apoio foi criada em Chapecó, a Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo da Chapecoense (Avav-C). A presidente é Fabienne Belle e tanto ela quanto Gabriel Andrade voltarão a se reunir com a diretoria da Chapecoense, em meados de setembro, para definir quando e como serão feitos os pagamentos devidos pelo clube aos familiares das vítimas.

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Na madrugada de 29 de novembro de 2016, por volta da 1 hora, o avião CP 2933, da empresa LaMia perdeu o contato com a torre de controle do aeroporto de Rio Negro em Medellín, na Colômbia. Pouco depois, as autoridades colombianas recebiam a notícia de que o avião havia caído numa região montanhosa bem próxima ao aeroporto. Dentre os que estavam a bordo, sobreviveram dois tripulantes, o locutor esportivo Rafael Henzel e os jogadores Neto, Allan Ruschel e Jackson Follmann, este tendo sofrido amputação de parte de uma das pernas.

A Chapecoense estava a caminho de Medellín onde iria disputar com o Atlético Nacional a decisão da Copa Sul Americana de 2016. Diante da tragédia, o Atlético Nacional pediu à Conmebol (entidade que regula o futebol na América do Sul) para declarar a Chapecoense campeã da competição, abrindo mão da partida que seria decisiva.

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