Síria: terreno fértil para bases militares estrangeiras?

© AFP 2022 / BULENT KILICSoldados turcos na Síria
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Os Estados Unidos planejam preservar suas bases no norte da Síria, após a derrota do Daesh, grupo terrorista proibido na Rússia. Não obstante, o único país que recebeu autorização do governo da Síria para ter militares no país é a Rússia.

Em um artigo do portal Gazeta.ru são analisadas as possíveis consequências da presença estrangeira no território sírio.

Um representante das Forças Democráticas sírias, Talal Silo, em uma entrevista à Reuters afirmou que os Estados Unidos continuarão a ter interesses estratégicos na Síria, mesmo depois de o Daesh ser derrotado. O alto funcionário disse que Washington já pensa em criar um aeródromo militar no norte da Síria.

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O entrevistado ressaltou que a Síria pode se tornar uma nova base das forças dos EUA no Oriente Médio, possivelmente será uma alternativa para a base da OTAN na Turquia, disse Silo, se referindo ao aeródromo de Incirlik.

O colunista da Gazeta.ru Aleksandr Rybin explicou a função da base de Incirlik para os Estados Unidos. É de lá que a Força Aérea norte-americana realiza seus ataques contra o Daesh na Síria e no Iraque.

"Por causa da aproximação gradual entre a Turquia e a Rússia na esfera militar, para os americanos é necessário pensar em uma alternativa para Incirlik", disse o jornalista, ao mesmo tempo lembrando que vários altos oficiais norte-americanos desta base foram presos por suspeita de envolvimento na intentona golpista que teve lugar no verão de 2016.

Além da Rússia, que tem um acordo oficial com o governo sírio sobre o estacionamento de suas forças na Síria, o país árabe conta com a presença de outros países estrangeiros em seu território.

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Por exemplo, os militares iranianos, aliados de Bashar Assad, participam ativamente dos combates na Síria. Vários meios de comunicação publicaram fotos de um dos comandantes iranianos mais emblemáticos, Qasem Soleimani, acompanhado por seus subordinados, na frente síria.

Além disso, o movimento xiita libanês Hezbollah conta com efetivos na Síria. Esta é a principal razão por que a Força Aérea israelense costuma bombardear o território sírio. Para os israelenses, o Hezbollah é um de seus principais inimigos. Tel Aviv teme que a guerra síria sirva para aumentar o potencial do Hezbollah.

Por sua parte, as tropas turcas estão presentes no norte da Síria, na cidade de Al-Bab. Desde novembro de 2016 até fevereiro de 2017, o Exército turco levou a cabo duros combates por esta cidade, lutando contra os radicais do Daesh.

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Hoje em dia Al-Bab é o ponto principal de apoio da Turquia no norte da Síria. De acordo com Moscou e Teerã, Ancara pode implantar suas tropas na província síria de Idlib, mas ainda não o fez por causa da situação instável na região.

Segundo a agência turca Anadolu, no norte da Síria há atualmente 10 bases militares dos Estados Unidos. Todas elas estão situadas em territórios curdos, controlados pelas Forças Democráticas sírias. Perto do povoado de Kobani se localizam vários aeródromos, a partir de onde os aviões norte-americanos decolam para bombardear o Daesh em Raqqa.

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