Médico pessoal de Kadhafi revela como país foi devorado pela 'maldita guerra'

© Foto / Arquivo pessoal de Novak VukojeO otorrinolaringologista sérvio, professor Novak Vukoje, com ex-líder líbio Muammar Kadhafi
O otorrinolaringologista sérvio, professor Novak Vukoje, com ex-líder líbio Muammar Kadhafi - Sputnik Brasil
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O otorrinolaringologista sérvio, professor Novak Vukoje, é um especialista internacionalmente conhecido em problemas médicos tais como apneia e ronco, a quem recorrem xeiques árabes e pessoas influentes da Rússia, Austrália e EUA. Entre os "fãs" do médico, estava até o líder líbio Muammar Kadhafi.

"Em 1987, quando eu dei minha primeira palestra sobre o ronco em Belgrado, os professores e diretores das grandes clínicas que estavam na primeira fila — todos estavam rindo. Já depois, muitos deles se inscreviam para que eu os operasse", conta o médico.

A Sputnik Sérvia falou com Vukoje sobre os mendigos nas ruas líbias, o "efeito dominó" no Oriente Médio e, claro, o filho da revolução Muammar Kadhafi.

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Vukoje contou, particularmente, a história do seu encontro com o revolucionário. De acordo com o médico, ele tinha operado um dos ministros da então administração líbia, enquanto este estava em uma visita a Belgrado. O titular da pasta, por sua vez, contou sobre o médico-feiticeiro, que o livrou de apneia crônica, ao chefe de Estado.

Na sequência disso, Vukoje fez sua primeira visita à Líbia em 2006.

"Eu passei bastante tempo com ele. Agora, estou em contato com sua filha Aisha. Ela mora no Omã com seus três filhos e a mãe", partilhou. "Há pouco, Aisha me enviou um e-mail, dizendo que ela talvez se candidate ao posto de presidente da Líbia", adiantou.

O médico também revelou suas impressões da Líbia da época de Kadhafi e assegurou que naqueles anos "se vivia muito bem na Líbia".

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"Eu viajei quase por todo o mundo, mas a Líbia é o único país onde eu não vi mendigos nas ruas. O Estado ajudava todos a viverem uma vida decente. Na Líbia moravam 5 milhões de pessoas e vários milhões de trabalhadores estrangeiros", contou o entrevistado.

Falando das causas da guerra civil, Vukoje destacou tal fenômeno como o "efeito dominó". Ou seja, um pequeno grupo de pessoas descontentes conseguia encontrar outro grupo, enquanto este encontrava outro, e assim por adiante.

"Foi assim que começou esta maldita guerra e vejam como acabou. O general que me transportava para lá diz que as pessoas simplesmente não têm nada para comer, não há água, petróleo. Um horror", exclamou.

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O médico contou também em detalhes o seu primeiro encontro com o líder líbio, frisando que "tem muito orgulho" de ter conseguido este encontro. Pela primeira vez, os dois falaram na barraca de Kadhafi em 2006.

Na época, o líder líbio convidou o médico sérvio à televisão nacional para gravar a conversa. Mas, como ninguém, nem os poderosos deste mundo, pode ficar absolutamente tranquilo nas vésperas de uma cirurgia, Kadhafi gracejou:

"Toda a Líbia está tremendo perante mim, e eu fico tremendo perante um cirurgião sérvio."

Vukoje revelou também um pormenor interessante que soube de um seu cliente "com muita influência, mas que prefere ficar na sombra".

© Foto / Arquivo pessoal de Novak VukojeO otorrinolaringologista sérvio, professor Novak Vukoje, com ex-líder líbio Muammar Kadhafi.
O otorrinolaringologista sérvio, professor Novak Vukoje, com ex-líder líbio Muammar Kadhafi. - Sputnik Brasil
O otorrinolaringologista sérvio, professor Novak Vukoje, com ex-líder líbio Muammar Kadhafi.

"Quando ele viu a fotografia de mim junto a Kadhafi, ele perguntou quando é que isso foi. Eu disse que o vi pela última vez em 4 de novembro de 2010. A respeito a isso, o homem me contou que ele, com outras duas pessoas, visitou Kadhafi dois meses depois e lhe propuseram que levasse todo o dinheiro que quisesse, levasse consigo quem quisesse, para qualquer país onde quisesse morar. E ele respondeu: ‘Eu cheguei ao poder através de uma revolução e o deixarei da mesma maneira'", confessou o médico sérvio.

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