Inteligência alemã é apenas ferramenta na 'conspiração israelense-americana' contra Teerã?

© AFP 2022 / AMIN KHOROSHAHI / ISNALançamento de míssil realizado pelo Irã, foto de arquivo
Lançamento de míssil realizado pelo Irã, foto de arquivo - Sputnik Brasil
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O Irã tenta receber tecnologias de empresas alemãs de modo clandestino, sendo que estas são necessárias para o desenvolvimento do seu programa de mísseis, afirma um relatório recente da agência de inteligência deste país europeu, citado pela emissora americana.

O relatório de 181 páginas, divulgado há pouco por responsáveis oficiais alemães, diz que o Irã está ativamente procurando "know-how científico no âmbito de armas de destruição maciça, inclusive tecnologias de mísseis", informa o canal Fox News.

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Com ajuda de uma empresa chinesa intermediária, o Irã planejava comprar "máquinas-ferramentas complexas" a uma empresa de engenharia alemã. A inteligência da Alemanha, por sua vez, bloqueou a celebração deste contrato ao saber que estes equipamentos se destinavam ao Irã.

"Este caso mostra que a estratégia de compras iraniana continua prevendo fornecimentos através de países terceiros", afirmou um funcionário do serviço secreto alemão.

Em uma entrevista à Sputnik Persa, o observador de assuntos internacionais e especialista em armas nucleares iraniano, Hassan Beheshtipour, frisou que as acusações apresentadas contra Teerã são simplesmente ridículas.

"Do ponto de vista ideológico, este relatório de 181 páginas pode ser considerado como uma nova tentativa dos agentes secretos israelenses, americanos e do lobby sionista de desacreditar o Irã com ajuda da Alemanha. Parece que este é o novo cenário para realizar as ideias usadas ainda em 2001 e que eles transformaram no dossiê anti-iraniano sobre seu programa nuclear, mas eles foram derrotados", afirmou.

O especialista adiantou que, embora tenham passado muitos anos, não foi encontrado nenhuma evidência que o Irã tivesse tentado criar uma arma nuclear. Mais que isso, foi provado que Teerã tem conduzido apenas pesquisas nucleares de caráter pacífico, adiantou.

"Primeiramente, o Irã esteve entre os primeiros países a condenar expressamente e a se manifestar contra a proliferação de qualquer arma de destruição maciça, ele coopera ativamente com a OPAQ [Organização para a Proibição de Armas Químicas]", acrescentou.

O analista sublinhou que o programa de mísseis iraniano tem um caráter defensivo e não ofensivo.

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"Quanto ao programa de defesa, que também abrange o programa de mísseis, é tudo ainda mais transparente. O Irã tem repetidas vezes afirmado que tem todo o direito à autodefesa e não vai discutir este assunto com ninguém, nem conduzir negociações sobre isso. O programa de mísseis do país, por sua vez, tem a ver com as chamadas 'armas convencionais", continuou.

Beheshtipour recordou que Teerã condenou a produção das armas químicas ao nível mais alto, através da declaração do aiatolá Khamenei que foi protocolada pelas Nações Unidas.

"Por isso, segundo afirmou o nosso líder, a nossa indústria militar não tem restrições algumas, senão as armas nucleares e químicas", explicou.

De acordo com o especialista, a indústria defensiva iraniana, inclusive seu programa de mísseis, se tornou um assunto vital ainda na época da Guerra Irã-Iraque, quando o "regime de Saddam bombardeava as nossas cidades".

"Na época, fomos obrigados a nos dirigir a muitos países para nos fornecerem mísseis para que nós pudéssemos nos defender. Não tínhamos qualquer indústria de mísseis. Mas quase ninguém, além de 2 países, respondeu aos nossos pedidos. Isso foi um motivo para nós desenvolvermos e instalarmos nossa própria indústria de mísseis", resumiu.

O especialista contou que, passado algum tempo, o Irã conseguiu grandes avanços neste campo, possuindo suas tecnologias próprias, por isso o país nem precisa de know-how estrangeiro, tanto mais em condições de sanções.

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