Será que 'supersoldados' do futuro serão que nem robôs humanos?

© AFP 2022 / ARMEND NIMANIUm soldado da OTAN
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Os planos dos EUA para aumentar as capacidades de seus soldados através de doping e outros métodos não são algo de novo na história militar.

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Entretanto, a estabilidade mental das pessoas que se submetem a estes processos corre o risco de ficar seriamente afetada, adverte o doutor Michael Robillard, especializado em questões éticas relacionadas com os conflitos bélicos.

"[O aumento das capacidades] evoca toda uma série de questões éticas em relação de 'melhorar' as pessoas em contexto de uma guerra", comentou à Sputnik Robillard, investigador da Universidade de Oxford.

Quanto à ampliação dos limites do ser humano, o especialista questiona se além da perfeição física, a psicologia do soldado não ficará afetada.

"Se 'melhoramos' uma pessoa, como isso afetaria seu corpo e sua personalidade? Poderia voltar a ser ele mesmo, se reintegrar na sociedade após sua desmobilização?", se pergunta o médico e acrescenta que atualmente já existem enormes diferenças entre a vida civil e militar que representam um desafio para todos os veteranos.

Ao mesmo tempo, os planos para aumentar as capacidades físicas dos soldados não são algo que nunca tenha sido visto antes.

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Robillard recordou o Exército de Federico, o Grande, rei da Prússia entre 1740 e 1786, que tinha como prioridade capturar as cervejarias para embebedar ligeiramente seus soldados e assim "torná-los mais valentes". No Vietnã, se pôde assistir a outro exemplo desta prática, quando os pilotos dos EUA consumiam metanfetaminas para realizar ataques aéreos sem realizar qualquer descanso.

"Porém, é importante saber qual será esse 'aumento'. Se falamos de substâncias neuroquímicas, da fusão com a inteligência artificial, […] o problema surge a outro nível e pode deformar a personalidade ou transtornar seu desenvolvimento", opina o cientista.

Finalmente, o efeito psicológico nos soldados pode variar segundo seu papel. Um soldado "melhorado" pode "trabalhar com o computador ou desenvolver estratégias" sem combater na frente.

Entretanto, caso eles participem de combates, os supersoldados terão uma maior responsabilidade e assim "a formação ética deve acompanhar o aumento das capacidades do ser humano", advertiu.

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