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Opinião: Corrupção roeu toda a América Latina, não apenas o Brasil

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Há pouco, a corporação brasileira de engenharia Odebrecht decidiu pagar uma multa no valor de 3,5 bilhões de dólares, apresentado pelo Tribunal Arbitral dos EUA, pela prática de corrupção, comunicou o Ministério da Justiça brasileiro.

Ao comentar o assunto para o serviço russo da Rádio Sputnik, o professor da Faculdade de Relações Internacionais da Universidade Estatal de São Petersburgo e especialista em assuntos latino-americanos, Viktor Jeifets, relembrou que o Brasil não é o único país onde a Odebrecht está envolvida em escândalos de corrupção.

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"A Odebrecht tem processos judiciais em muitos países, este é apenas o topo do iceberg. Eles pagaram subornos, no mínimo, em 7 países, do Brasil à Colômbia, Peru e El Salvador. Há pouco, os representantes da Odebrecht confessaram que eles pagaram subornos ao ex-presidente peruano, embora este o negue, ao presidente salvadorenho que também o nega", explicou.

O especialista frisou que, embora o valor da multa seja bastante impressionante, a empresa "não terá outra saída a não ser pagar, caso queiram continuar fazendo negócios".

"De qualquer modo, eles terão que se defender perante a Justiça em muitos países. E se eles querem continuar fazendo negócios em outros países, eles terão que lidar com todos os casos indecorosos que vieram à tona. Lidar, isto é, pagar compensações, fazer depoimentos etc", ressaltou.

Basta relembrar que o valor da multa coincide com o valor pago pela empresa em subornos entre 2005 e 2014. Porém, Jeifets afirma que a empresa ganhava muito mais.

Ao falar o que mais pode se esconder abaixo do "topo do iceberg", o analista frisa que há, com efeito, muitos outros esquemas que serão descobertos.

"Já vemos que a corrupção é um fenômeno que existe além dos limites da ideologia e dos partidos. Entre os suspeitos e aqueles que já foram provados como culpados, há representantes de todos os partidos, tanto os de esquerda, como de direita", afirmou, detalhando que no Brasil, tanto o ex-partido no poder, PT, como o atual, PMDB, sujeitaram-se às respectivas investigações.

"No Peru, a mesma coisa. É um fenômeno continental, não apenas brasileiro. A corrupção roeu todo o continente", ressaltou.

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Falando sobre o escândalo de corrupção que, em grande parte, é ligado à gigantesca estatal Petrobras, o especialista em assuntos latino-americanos frisou que esse continuará, pelo visto, ainda por muito tempo, afetando todas as camadas da elite política brasileira.

"Acho que veremos novos nomes, novos partidos [envolvidos], e não só no Brasil, e, talvez, algumas tentativas de reverter vários processos. Por exemplo, há pouco a ex-presidente, Dilma Rousseff, destituída na sequência de impeachment, apresentou uma demanda ao Tribunal, exigindo anular o processo. […] Acho que ela não poderá voltar ao seu posto, mas isso [o escândalo] vai prejudicar muito o partido de Temer", resumiu.

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