‘Rússia não reage bem a ultimatos’: O que os EUA podem oferecer ao Kremlin

© Sputnik / Aleksei Nikolsky / Abrir o banco de imagensChefe da empresa ExxonMobil, Rex Tillerson, durante o encontro com o então primeiro-ministro (agora presidente) da Rússia, Vladimir Putin, na residëncia em Novo-Ogarevo, abril de 2012
Chefe da empresa ExxonMobil, Rex Tillerson, durante o encontro com o então primeiro-ministro (agora presidente) da Rússia, Vladimir Putin, na residëncia em Novo-Ogarevo, abril de 2012 - Sputnik Brasil
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O secretário de Estado dos Estados Unidos Rex Tillerson desembarcou em Moscou nesta terça-feira para uma agenda de dois dias de reuniões com o ministro russo Sergei Lavrov. O observador político Vladimir Ardaev avaliou que três são os caminhos possíveis para as conversações entre a Casa Branca e o Kremlin.

O representante do presidente norte-americano Donald Trump pode fazer ameaças vazias, pode apresentar um ultimato ao governo do presidente russo Vladimir Putin, ou oferecer um acordo que respeite os interesses da Rússia e da Síria, já que o conflito no país do Oriente Médio deve dominar o encontro.

Tillerson levou consigo para a Rússia uma posição fechada junto aos demais colegas do G7, que estiveram reunidos na segunda-feira na cidade italiana de Lucca. O discurso corrente é que os russos seriam pressionados a deixar de apoiar o governo sírio de Bashar Assad. O ministro britânico Boris Johnson foi duro, principalmente após cancelar uma visita que faria à Rússia.

Em entrevista à Sputnik, Vladimir Ardaev, o cancelamento da visita de Johnson tem relação com uma perspectiva de posição consolidada por parte das potências ocidentais perante os russos. O objetivo seria apresentar uma posição que não possa ser “ignorada, contornada ou derrotada com o uso de contradições inevitáveis que existem entre os países ocidentais”.

Nesta imagem fornecida pela Marinha dos Estados Unidos, o destrutor de mísseis guiados USS Porter (DDG 78) lança um míssil de ataque de terra tomahawk no Mar Mediterrâneo, sexta-feira, 7 de abril de 2017 - Sputnik Brasil
Para onde voarão em seguida os novos Tomahawk dos EUA?

“Não são poucas essas contradições”, completou Ardaev.

Quanto ao ataque com mísseis contra a Síria, ordenado por Trump e condenado por Putin, o observador disse acreditar que a retirada de Assad do poder não seria a prioridade do presidente norte-americano, mas sim o combate aos terroristas do Daesh e de outros grupos radicais que estão na região.

Além disso, Ardaev tomou por base as muitas declarações de autoridades dos EUA, Grâ-Bretanha e Alemanha – dissonantes entre si – nos dias após o ataque com mísseis para dizer que Tillerson tende a pressionar os russos para eliminarem todas as armas químicas da Síria, sem acusa-los de cumplicidade com o episódio do dia 4 deste mês.

A dificuldade do secretário de Estado dos EUA será, porém, provar que Assad participou dos ataques com armas químicas. Tanto Moscou quanto Damasco trabalham com dados que comprovam que os militantes contrários ao regime é que possuíam tais armas químicas, ou que o ataque em si foi uma farsa para aumentar o apoio das nações ocidentais.

Ardaev não acredita que o Kremlin deixará de apoiar o governo de Assad – tal decisão, se aceita, significaria uma espécie de capitulação russa e enfraqueceria a posição do país no Oriente Médio, sem que qualquer “recompensa” pudesse compensar tal atitude. Falando em atitude, a expectativa dos russos é que o tom de Tillerson seja mais moderado do que outros representantes do G7.

Fábrica de armas químicas em Aleppo - Sputnik Brasil
Estado-Maior russo: Militantes levam substâncias toxicas à Síria para EUA atacarem de novo

“É improvável que Tillerson seja bem sucedido se falar em tom de ultimatos”, destacou Ardaev, em referência a uma reportagem do jornal britânico The Telegraph, na qual especula-se que a Rússia será convidada a retornar ao G7. Se recusar, diz a publicação, novas sanções contra o país serão levadas em consideração.

Em um passado recente, sanções ao governo russo não o fizeram recuar, mas sim aumentar a sua presença. Os exemplos na Ucrânia e na própria Síria não podem ser menosprezados.

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