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Moças-assassinas: no México, cada vez mais mulheres sicárias chefiam narcocartéis

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As mulheres, que se tornaram as sicárias aterrorizantes nos cartéis de drogas no norte do México, se destacam pela sua forte liderança natural, afirma um investigador da Universidade Autônoma de Sinaloa.

Para o filósofo e docente da Universidade Autônoma de Sinaloa (UAS) no México, Juan Carlos Ayala, a atividade das mulheres sanguinárias se vem destacando especialmente na parte nordestina do país como um reflexo "do novo papel da liderança feminina".

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"As mulheres querem ter liderança e participar de modo ativo, já não mais somente como damas de companhia. Com efeito, há um grande número de mulheres sicárias [assassinas contratadas] e inclusive na qualidade de chefes de células criminais", disse à Sputnik Mundo o acadêmico e autor do livro "Três faces da identidade, critérios para uma filosofia aplicada".

Em uma das suas obras, Ayala percebeu que o tráfico de drogas passou a impregnar a cultura mexicana, de forma que se torna impossível dissociá-los. Neste sentido, observou que, por exemplo, as reclamações pela igualdade de gênero, que se exige socialmente, também se aplicam ao fenômeno criminal.

"Elas querem ocupar posições nas quais podem tomar decisões, exercer o poder, e aí surge o fenômeno duplo do narcotráfico com a política. Isto implica uma mudança nas identidades do narcotráfico e também na moralidade. É um fenômeno desta violência que impregnou a cultura mexicana, ao ponto que se vê como algo normal o fato de as mulheres poderem participar", considerou o filósofo.

O acadêmico recordou os casos emblemáticos de sicárias que viralizaram nas redes sociais em vídeos e imagens, nas quais apareciam decapitando pessoas e logo terminam morrendo da mesma violência que praticaram como, por exemplo, as jovens conhecidas como Wera Loca e La Flaka.

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O apelido La Flaka foi atribuído a Joselyn Niño, uma pequena morena magra e de cabelo comprido que teve seu corpo desmembrado e encontrado dentro de uma geladeira portátil de cerveja, de acordo com a imprensa local.

A moça, que mais se parecia com uma adolescente brincando com rifle, foi rapidamente identificada pela tatuagem que tinha no braço, visível em uma foto divulgada pelos grupos rivais para capturá-la, segundo comunicaram as páginas web locais dedicadas às notícias do mundo das drogas e escrupulosamente estudadas por Ayala.

O filósofo afirma estar assombrado com "a normalização da violência", que parece estar cada vez mais enraizada na cultura local. "Se trata de uma sociedade que aceita os assassinatos como uma parte da vida cotidiana", lamentou.

"A normalização da violência impregnou tanto as comunidades que vemos como a gente aceita produtos culturais do narcotráfico, o que leva seus filhos à predisposição para a criminalidade. Quando detiveram Chapo Guzmán [emblemático narcotraficante de Sinaloa], houve protestos de rua para defender o criminoso", realçou o historiador.

Na opinião dele, as identidades na sociedade mexicana estão "mais difusas e confusas", por isso que se torna impossível estudar "a identidade cultural do México sem observar essas identidades marginais".

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