Rússia é 'o único Estado capaz de influenciar' Damasco a negociar com rebeldes sírios

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A Rússia está em posição privilegiada para resolver a crise síria, já que Moscou é a única que conseguiu levar Damasco e a oposição armada à mesa de negociações, disse o doutor Michel Foucher, embaixador da França na Letônia, à revista Le Point.

A participação militar de Moscou na Síria "mudou a balança de poder, forçando a oposição sunita não-radical a negociar", disse o diplomata francês à Le Point. Sobretudo, a Rússia é "a única capaz de forçar Damasco a negociar com a oposição".

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O processo de paz em Astana, patrocinado pela Rússia, Turquia e Irã sugere que esta avaliação seja correta. A primeira ronda de negociações foi realizada na capital do Cazaquistão em 23 e 24 de janeiro deste ano, sendo a primeira vez que a delegação de Damasco e representantes de grupos radicais armados — que lutam para depor o presidente sírio, Bashar Assad — se encontraram desde o início da guerra em 2011.

A segunda ronda de negociações em Astana ocorreu em 15 e 16 de fevereiro e resultou em que Moscou, Ancara e Teerã chegaram ao acordo de estabelecer um grupo de contato permanente para manter o cessar-fogo.

O documento visto pela Sputnik firmou que o grupo de controle também facilitaria as trocas de prisioneiros durante suas reuniões regulares, informando às Nações Unidas sobre violações de trégua e ao Grupo de Apoio Internacional à Síria (ISSG) sobre seu progresso.

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O enviado especial do presidente da Rússia para a Síria, Aleksandr Lavrentiev, chamou a segunda ronda de negociações "um passo adiante", dizendo que as tensões entre Damasco e a oposição parecem estar aliviando. Apesar de desenvolvimento positivo, negociações diretas entre as duas partes estão "ainda longe de serem possíveis", acrescentou, apontando desconfiança mútua como uma das principais razões.

O diplomata francês também disse que a Rússia é "a única capaz de encontrar uma saída" do conflito sírio devastador, pois "ela tem a força militar e política". Ele apontou que a não exigência de renuncia imediata de Assad pela liderança turca comprova a influência de Moscou.

Na verdade, Rússia e Turquia têm servido como garantia do acordo de cessar-fogo, que foi apresentado pelo presidente Vladimir Putin em 29 de dezembro de 2016.

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Ancara foi um dos principais apoiadores de grupos radicais que tencionam depor o governo sírio, algo que Moscou se opõe ferozmente. As autoridades russas têm reiteradamente avisado que a realização de operações semelhantes à intervenção militar da OTAN na Líbia levaria a consequências terríveis.

Foucher confirmou esses sentimentos, dizendo que a Rússia é contra um cenário de mudança de regime na Síria, que poderia resultar no destino sírio semelhante ao da Líbia. Ele também explicou que Moscou decidiu lançar uma operação militar na Síria, preocupando-se com a possibilidade de o país árabe devastado pela guerra de se transformar em um terreno fértil para o terrorismo.

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