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Espionagem americana sobre o Brasil: autocrítica chega tarde

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No apagar das luzes da gestão Obama, o vice-conselheiro nacional de Segurança, Ben Rhodes, lamentou "a falta de timing" dos EUA com o Brasil após o vazamento da informação de que a Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) grampeou ligações telefônicas e correspondências eletrônicas da então presidente Dilma Rousseff, em 2013.

Além de Dilma, a espionagem atingiu também ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), membros do Congresso e até diretores de grandes empresas brasileiras, entre elas a Petrobras.

A informação foi divulgada pelo ex-técnico da NSA Edward Snowden, que se encontra exilado na Rússia há três anos. No mea culpa, Rhodes reconheceu que o espisódio estremeceu as relações entre os dois países, e lamentou que os EUA, por mais que tenham se esforçado para retomar as relações, não tenham alcançado esse objetivo diplomático.

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"Não há outro país no mundo com que nosas relações sofreram mais por causa dessas revelações", disse Rhodes, que viu no vazamento um esforço deliberado de interesses em prejudicar o relacionamento dos EUA não só com o Brasil como também com tradicionais aliados europeus, como Alemanha e França. Lá também a chanceler Angela Merkel foi espionada, assim como o presidente francês François Hollande.

Para o coordenador do Programa de Pós-graduação de Economia Política Internacional da Universidade Federal do Rio deJaneiro (UFRJ), Carlos Eduardo Martins, a autocrítica de Rhodes tem pouco resultado prático.

"Democratas acendem uma vela a Deus e outra para o diabo. Faz parte um pouco da política centrista dos democratas tentarem fazer um mea culpa, a apostarem num caminho mais coperativo, pacífico. Entretanto, a gestão Obama foi profundamente desestabilizadora para os regimes políticos mais avançados da América Latina. Obama não fez nenhuma autocrítica pelo fato  de declarar a Venezuela amaeça aos Estados Unidos, por exemplo. O Brasil foi um dos países mais interceptados por espionagens. Segundo declarações do Snowden, o Brasil  teria tido, durante a gestão do Obama, dois milhões de interceptações de comunicações privadas, situando-se no ranking de interceptações muito acima da Rússia, da Alemanha e da França", diz Martins.

Na viisão do coordenador da UFRJ, agora os democratas tentam fazer uma aproximação com forças políticas na América Latina mais avançadas, numa tentativa de rever relações — Cuba está dentro desse espectro. 

"Acho que o governo Obama, em seu final, tenta se diferenciar do que vai ser a administração republicana do Trump que, ao que tudo indica, vai ser mais dura ainda do que foi a gestão Obama. Acho que atende muito mais a uma tentativa de mostrar para a população latina nos Estados Unidos que os democratas são diferentes dos republicanos para qualquer tentativa de mudança dessa administração em relação à América Latina." 

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