'Bashar Assad não é essa pessoa definida pela mídia ocidental'

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O presidente russo, Vladimir Putin, encontrou o presidente sírio, Bashar Assad, no Kremlin - Sputnik Brasil
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Nesta cidade, não ocorreu nenhum protesto contra o poder em três anos, até a chegada dos terroristas”, disse em entrevista à Sputnik Sérvia o presidente da União de Estudantes sírios na Sérvia, futuro médico, Lamak Kuder.

"Os russos se protegem, mas também protegem a Síria. Graças à Rússia, está liberta a cidade de Aleppo — o coração da Síria. Todo mundo está tão feliz, como se no meu país estivesse sendo realizado um grande casamento. Nesta cidade, não ocorreu nenhum protesto contra o poder em três anos, até a chegada dos terroristas", disse em entrevista à Sputnik Sérvia o presidente da União de Estudantes sírios na Sérvia, futuro médico, Lamak Kuder.

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Lamak e seu irmão Rawaha são os representantes da segunda geração da família Kuder, que estão estudando na Sérvia. Lamak estuda medicina e encontra tempo para combinar o estudo com o cargo de presidente da União de Estudantes da Síria. É interessante ressaltar que desde a piora da situação na Síria, a Sérvia viu-se abrigada a oferecer uma bolsa de estudos ao rapaz, que sonha em ser médico. Lamak destaca que os cidadãos sérvios o entendem perfeitamente, "pois o país deles ultrapassou as mesmas dificuldades que a Síria, contando com mesmo ‘diretor'".

Sputnik Sérvia: Alguma coisa pressagiou a guerra na Síria? Você chegou a imaginar tal cenário antes?

Lamak Kuder: Nunca! Eu poderia aplicar tal cenário a qualquer outro país, mas não à Síria. Nosso país sempre foi aberto, habitado por representantes de diferentes nações e religiões. O que aconteceu, foi um choque para todos nós, já que, a coalizão do Ocidente vinha coordenando de uma forma tão boa, que resultou no início do conflito. Isso é terrível.

SS: Qual é o papel da mídia no incidente?

LK: Essa é a questão. A coalizão ocidental usou o povo que acredita em tudo de maneira fácil. Isso foi feito pela mídia em quem nós acreditávamos. Ela era moderna, muito mais luxuosa do que a nossa televisão estatal. E foi ela a responsável pela criação de uma nova imagem da Síria. No começo, eu acreditava nela — Al Jazira e Al Arabiya, BBC e CNN, até que um dia eu percebi que tudo não passava de mentiras. Eles usaram pessoas, deram-lhes dinheiro, inicialmente — para irem aos protestos, e, assim, pressionaram as autoridades. Em tudo isso, nem 2% da população participaram, mas a mídia escrevia sobre multidões. Logo depois deu início ao processo de armamento destas pessoas.

SS: Você é de Hama, onde a situação é mais ou menos tranquila. Lá, ficaram seu pai, sua mãe e três irmãs. Como a situação em Aleppo influencia na vida de seus familiares e o que levou à transformação de Aleppo em um inferno?

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LK: Primeiramente, a minha família vivia com medo, depois começou a se acostumar. Eles tiveram que deixar um bom trabalho no deserto e se mudar para uma colina, uma aldeia. Uma semana atrás, o nosso exército, com a ajuda da Rússia e do Irã, libertou Aleppo. Todo mundo estava tão feliz, como se estivesse sendo organizado um grandioso casamento, comemorado por todo o país. Para nós, Aleppo é o coração da Síria, economicamente falando ou a partir de qualquer outro ponto de vista. Não foi organizado nesta cidade nenhum protesto contra o poder durante três anos, até a chegada dos terroristas. Eles cercaram Aleppo, depois entraram na cidade, fazendo os habitantes de reféns — não permitiram que saíssem da cidade. Essa situação não foi trazida pelo povo de Aleppo, mas pelos terroristas, que organizaram tudo como se a cidade estivesse contra o governo atual — isso nunca foi verdade. Agora, as pessoas comemoram uma vitória. Elas estão felizes por terem sido libertas dos terroristas.

SS: O que você pensa sobre Assad e o governo atual?

LK: O presidente sírio, Bashar Assad, não é como a mídia ocidental o define. Acho que ele é um bom homem. Ele era amigo de Jacques Chirac, quem se afastou dele depois. Assad era amigo de toda a Europa, e agora vocês veem o que está acontecendo. Mas a situação na Síria não é a mesma representada pela mídia ocidental. Posso dizer que, talvez, falta um pouco de democracia, mas o presidente Assad deu início às reformas, imediatamente, que a coalizão ocidental não nos permitiu executá-las. Fomos acusados de estar ajudando os terroristas. Apontaram para nós, disseram que a Síria deveria mudar, mas não permitiram que resolvêssemos nossos problemas. Assad é um bom homem. Se ele não tivesse contado com o apoio da maioria da população, ele não teria se tornado presidente.

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